A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher levou o Partido Liberal a adotar uma solução temporária e inédita: o comando da sigla será dividido entre as presidentes estaduais até as próximas eleições. A cúpula do partido optou por adiar a escolha de uma sucessora única para evitar disputas internas e preservar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado, que depende do apoio do eleitorado feminino e evangélico.
Decisão evita racha e protege pré-campanha
De acordo com fontes do PL, a decisão foi tomada em reunião realizada na última segunda-feira (30), na sede do partido em Brasília. A ideia é que, até a convenção nacional marcada para agosto, o PL Mulher seja gerido por um colegiado composto por representantes de cada estado. A medida busca dar tempo para que o partido encontre um nome de consenso, sem desgastes.
Michelle Bolsonaro, que estava à frente do PL Mulher desde 2022, comunicou sua saída alegando cansaço da vida política e a necessidade de se dedicar aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta problemas de saúde. Ela recusou a proposta de permanecer no cargo, mesmo que de forma simbólica.
Impacto na pré-campanha de Flávio Bolsonaro
A saída de Michelle ocorre em um momento delicado para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, que busca uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. A ex-primeira-dama era peça-chave na articulação com o eleitorado feminino e evangélico, dois pilares do bolsonarismo. Sem ela, a campanha de Flávio pode perder força nesses segmentos.
“A Michelle tem um carisma único e uma conexão com as mulheres e os evangélicos que é difícil de replicar. A divisão do comando do PL Mulher é uma tentativa de manter a unidade, mas o partido precisa encontrar uma substituta à altura”, afirmou um dirigente do PL que pediu anonimato.
Disputa pelo Senado no DF segue indefinida
Além da questão do PL Mulher, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal ainda não está totalmente definida. O ex-presidente Jair Bolsonaro tem sido consultado sobre possíveis nomes para compor a chapa, mas nenhum anúncio oficial foi feito. A indefinição preocupa aliados, que temem que a demora possa beneficiar adversários.
O PL também avalia a possibilidade de lançar candidaturas femininas para a Câmara dos Deputados pelo DF, como forma de compensar a ausência de Michelle no comando do PL Mulher. A estratégia, no entanto, depende de negociações com outros partidos da base bolsonarista.



