O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu nesta quarta-feira (17) que viajou para Portugal em um jato particular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Motta também confirmou que Vorcaro pagou diárias de sua hospedagem em um hotel de luxo em Lisboa, conforme apontado pela Polícia Federal (PF). A viagem ocorreu em 2024, antes de qualquer conhecimento sobre irregularidades envolvendo o ex-banqueiro.
Diálogos com Vorcaro
Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, a PF encontrou diálogos de Motta com Vorcaro solicitando a liberação de um empréstimo de ao menos R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa de Bianca Medeiros, irmã da esposa do presidente da Câmara, Luana Motta, em março de 2024. Ao ser questionado, Motta afirmou que a operação de crédito "está dentro da legalidade" e não respondeu se atuou para liberar o financiamento.
Investigação da PF
Na terça-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou o sigilo de documentos enviados pela PF sobre o caso Vorcaro. O relatório integra a Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Vorcaro está preso em Brasília (DF).
A PF menciona conversas entre Vorcaro e um auxiliar em que o banqueiro afirma precisar de dois quartos em Lisboa para "Ciro e Hugo". Pouco depois, o auxiliar informa que haveria duas suítes no hotel Four Seasons. Em áudio, Vorcaro pede cuidado com a privacidade e segurança. Fotos mostram Vorcaro com Ciro Nogueira.
A PF cruzou informações das mensagens com e-mails de Vorcaro, incluindo uma fatura de viagem a Lisboa em junho de 2024. O relatório aponta que as diárias custaram EUR 3.155,71 (cerca de R$ 18.256,21 na cotação da época). Motta disse que Vorcaro bancou apenas duas diárias, mas a PF indica cinco dias de hospedagem, e a fatura menciona sete.
Hotel de luxo
O Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, localizado em área nobre de Lisboa, é classificado com cinco estrelas. O edifício combina Art Déco com estilo Luís XVI e abriga uma das maiores coleções privadas de arte portuguesa do século 20.
Questionado, Hugo Motta defendeu uma investigação "isenta e imparcial". Ciro Nogueira não se manifestou até a publicação do relatório.



