O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, enviou uma carta oficial ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, solicitando que o país desista de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. O documento, redigido em inglês e divulgado pelo gabinete do parlamentar, foi encaminhado nesta semana e já gerou repercussão no cenário político nacional.
Conteúdo da carta
No início do ofício, Flávio Bolsonaro agradece pela cordialidade do secretário e menciona a recente visita que fez a Washington. Ele destaca o potencial da amizade entre as duas nações e reconhece a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, medida que classificou como acertada.
Em seguida, o senador manifesta preocupação com a determinação da Seção 301, anunciada pelo Representante de Comércio dos EUA (USTR). Embora nenhuma tarifa tenha sido oficialmente imposta até o momento, Flávio argumenta que o momento econômico brasileiro torna a medida especialmente danosa. Para embasar sua posição, ele cita uma série de indicadores preocupantes: a dívida pública bruta ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia; projeções de mercado indicam que o índice pode chegar a 83,7% ao final do ano; 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes; e 2.466 empresas entraram em recuperação judicial em 2025.
Pedido formal e promessa de acordo
Na parte final da carta, Flávio reitera formalmente o pedido que afirma ter feito pessoalmente a Rubio: que os Estados Unidos não apliquem tarifas ao Brasil. O senador declara confiança em ser eleito presidente em outubro e, caso isso ocorra, promete disponibilizar imediatamente sua equipe de transição para negociar um amplo acordo comercial e de investimentos entre os dois países. A carta é encerrada com a frase: “God bless America, and God bless Brazil”.
Contexto do tarifaço
A recomendação do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) de impor novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros foi anunciada ontem como conclusão de uma investigação sobre supostas práticas desleais do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Entre os pontos citados, está um suposto tratamento preferencial ao Pix, que prejudicaria empresas americanas.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira, 2, Flávio Bolsonaro já havia prometido enviar a carta. No conteúdo, o pré-candidato atribuiu o tarifaço ao tom “agressivo e anti-americano” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a declarações do petista defendendo o fim do dólar como moeda padrão nas relações internacionais. Flávio também se ofereceu para ajudar Lula nas negociações com os EUA e acusou o presidente de ter ido “de joelhos até Trump fazer lobby a favor do PCC e CV”.



