A proposta de fim da escala 6×1, que prevê um dia de folga para cada seis trabalhados, ganhou força no Congresso e pode ser votada até 2026. A medida, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), promete impactar milhões de brasileiros.
O que é a escala 6×1 e por que ela pode acabar?
A escala 6×1 é uma jornada que exige trabalho por seis dias consecutivos com um dia de descanso. Críticos apontam que o modelo prejudica a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores, enquanto defensores alegam que setores como comércio e serviços dependem dessa flexibilidade.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 30% dos trabalhadores formais no Brasil estão submetidos a essa escala. O projeto de lei em tramitação propõe a redução para 5×2 (cinco dias trabalhados, dois de descanso) ou 4×3, sem redução salarial.
O que falta para a mudança valer?
O texto precisa ser aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado, além de sancionado pela Presidência. Atualmente, aguarda parecer em comissão especial. O relator, deputado Paulo Pereira (SD-SP), afirmou: “A proposta é moderna e alinha o Brasil a padrões internacionais, mas precisamos de amplo debate com empregadores e sindicatos.”
Um dos entraves é a resistência de setores como supermercados e hospitais, que alegam aumento de custos. Estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que a mudança elevaria os gastos com contratações em 12%.
Impactos para trabalhadores e empresas
Se aprovada, a nova escala pode beneficiar a saúde mental e reduzir acidentes de trabalho. Por outro lado, empresas teriam que reorganizar turnos e, em alguns casos, contratar mais funcionários. Especialistas apontam que a transição deve ser gradual.
O governo federal sinalizou apoio à medida, mas condicionou a implementação a estímulos fiscais para pequenos negócios. “Não podemos onerar quem gera emprego”, disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em audiência pública.
Com a proximidade das eleições de 2026, o tema deve ganhar ainda mais relevância política. Resta saber se o Congresso conseguirá aprovar a mudança antes do pleito.



