Erika Hilton acusa PSOL de rasgar acordo e inviabilizar candidatura
Erika Hilton acusa PSOL de rasgar acordo e inviabilizar campanha

A deputada Erika Hilton (SP) acusou a direção nacional do PSOL de “rasgar” acordos firmados internamente sobre distribuição de recursos para a campanha eleitoral deste ano. A parlamentar afirma que o partido estaria “inviabilizando” sua candidatura e a de outros nomes da legenda que, assim como a deputada, permaneceram no PSOL para que a sigla consiga “superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes” no pleito de outubro.

Declarações de Erika Hilton

“Tenho um orgulho imenso de ter ajudado a levar a luta pelo fim da escala 6×1 para o Brasil inteiro. As ruas estão do nosso lado. Mas fazer campanha no nosso país não é igual para todos. Sou uma deputada negra e travesti”, afirmou em postagem nas redes sociais.

Na publicação, a parlamentar sustenta que, para percorrer o estado de São Paulo como puxadora de votos do partido, é preciso logística e um forte esquema de segurança. Segundo a deputada, ela e seu grupo político “correm riscos que a burocracia do partido não pode simplesmente ignorar”, sob o risco, ainda de acordo com Erika, de inviabilização de pré-candidaturas, rebaixamento do potencial de votos e ameaças à integridade física.

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Contexto da decisão de permanecer no PSOL

Em março, o grupo de Erika decidiu disputar as eleições deste ano pelo PSOL, mesmo após o diretório nacional decidir não ingressar na federação PT-PCdoB-PV. A união era defendida pela deputada e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).

Comparação de recursos

Erika questionou na postagem os critérios adotados para o financiamento das campanhas e comparou o valor a ser recebido por ela com a verba prevista para outros nomes, com menos tempo no Congresso ou na federação PSOL-Rede. A parlamentar cita os deputados estaduais Renata Souza (RJ), Rick Azevedo (RJ) e Carlos Giannazi (SP) como outros parlamentares que estariam insatisfeitos com a gestão.

“Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela d’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe”, disse.

Manuela é pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul e lidera as pesquisas de intenções de voto. Aposta da esquerda gaúcha, Manuela integra a chapa encabeçada por Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) ao governo. Já Medeiros disputará uma vaga na Câmara por São Paulo.

Vereadora mais votada do país em 2020 e nona deputada federal nas urnas por São Paulo, Erika afirmou ainda que há uma “tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL”.

Reações de aliados

Após a postagem de Erika, aliados citados por ela como insatisfeitos com o diretório nacional se pronunciaram nas redes. Renata Souza disse que o partido decidiu não priorizar gênero e raça no repasse do fundo eleitoral. Ela pediu reconsideração, “para que o PSOL não caia na vala comum dos partidos brasileiros, que nunca quiseram que nossa gente acessasse os espaços de poder”.

Rick Souza defendeu que o PSOL apoie novas lideranças, mas também reconheça “quem carrega suas principais bandeiras e expande seu alcance”. “Sofro ameaças por denunciar ao mundo que a classe trabalhadora brasileira sofre. Não tenho problema com divergência política, mas me recuso a aceitar a repetição de erros”, escreveu.

Resposta da direção nacional do PSOL

A direção nacional do PSOL rebateu Erika. Em nota, afirmou que a campanha da deputada é o maior investimento entre as candidaturas proporcionais do partido: “A distribuição de recursos eleitorais está em conformidade com esses objetivos. O incentivo — inclusive financeiro, no qual o PSOL é pioneiro — a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada, não havendo debate em torno de mudanças nesse sentido”.

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Indo no sentido contrário ao da nota do PSOL, Erika criticou a condução da atual presidente nacional da legenda, Paula Coradi, da política nacional de inclusão do partido para critérios de gênero, raça e pessoas com deficiência. “O PSOL simplesmente desmontou a sua política nacional de inclusão”, disse.