Câmara aprova projeto que impede prescrição de pena para foragidos
Câmara aprova projeto que impede prescrição de pena para foragidos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (15) um projeto de lei que impede a prescrição de penas para condenados que estejam foragidos da Justiça. O texto, de autoria do deputado Paulo Eduardo (PT-SP), foi aprovado por 312 votos a favor e 112 contrários, e segue agora para análise do Senado Federal.

O que muda com o projeto

Pela proposta, o prazo prescricional da pena fica suspenso enquanto o condenado não for localizado ou estiver foragido. Atualmente, o Código Penal prevê que a prescrição corre normalmente mesmo após a fuga, o que permite que condenados evitem o cumprimento da pena ao se esconderem até que o prazo se esgote. Com a nova regra, a contagem do prazo só será retomada após a prisão ou apresentação do condenado.

Impacto no sistema judiciário

Segundo o relator, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), a medida visa coibir a impunidade e garantir que condenados não se beneficiem da própria fuga. “Não é justo que um foragido possa contar o tempo para a prescrição enquanto está foragido. Isso estimula a fuga e prejudica a credibilidade do sistema de Justiça”, afirmou Sampaio durante a votação.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que, em 2025, mais de 40 mil mandados de prisão estavam em aberto no Brasil. Estima-se que cerca de 30% dos condenados foragidos conseguem a prescrição da pena antes de serem capturados.

Críticas e defesas

A oposição criticou o projeto, argumentando que ele pode violar o princípio da prescrição como garantia individual. O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que a medida é “inconstitucional e desproporcional”. “A prescrição é um instituto que visa evitar que o Estado puna indefinidamente. Suspender o prazo para foragidos pode levar a penas perpétuas de fato”, declarou.

Já o governo defendeu a aprovação como um avanço no combate à impunidade. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), destacou que a proposta é “um instrumento para garantir que a sentença seja cumprida”.

Próximos passos

O texto segue para o Senado, onde será analisado pelas comissões e pelo plenário. Se aprovado sem alterações, segue para sanção presidencial. Caso sofra modificações, retorna para nova votação na Câmara.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar