O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, contratou como assessor especial em seu gabinete o ex-secretário de Governo do Espírito Santo, Rodrigo Marques de Almeida. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da Câmara Municipal do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (15).
Rodrigo Marques é conhecido por ter declarado publicamente, em 2023, que Jair Bolsonaro é 'uma tragédia quando abre a boca'. A fala ocorreu durante uma entrevista ao jornal A Gazeta, quando ele ainda era secretário do governador Renato Casagrande (PSB). Na ocasião, Marques afirmou que 'o ex-presidente tem um histórico de declarações infelizes que prejudicam o país'.
Trajetória e polêmica
Marques foi secretário de Governo do Espírito Santo entre 2021 e 2024, durante a gestão de Casagrande. Antes disso, ocupou cargos na administração estadual e atuou como advogado. Sua nomeação para o gabinete de Carluxo gerou surpresa nos meios políticos, dado o histórico de críticas ao patriarca da família Bolsonaro.
Procurado, Rodrigo Marques não comentou a nomeação. A assessoria de Carlos Bolsonaro afirmou que a contratação se baseou na 'competência técnica' do novo assessor. 'O vereador Carlos Bolsonaro busca profissionais qualificados para compor sua equipe, independentemente de posições políticas passadas', diz a nota.
Repercussão
A nomeação repercutiu nas redes sociais. Opositores de Bolsonaro ironizaram a contradição, enquanto aliados minimizaram o fato. O governador Renato Casagrande, em entrevista coletiva, disse que 'cada um tem seu caminho' e que Rodrigo Marques 'é um profissional preparado'.
Carlos Bolsonaro, por sua vez, não se manifestou diretamente sobre a polêmica. Em suas redes sociais, ele publicou apenas um comunicado sobre a ampliação de sua equipe, sem citar nomes.
Impacto político
Analistas veem a contratação como um movimento de Carluxo para ampliar sua base técnica, mas também como um potencial desgaste interno. 'É incomum que um filho do ex-presidente nomeie alguém que o criticou abertamente. Pode gerar ruído na base bolsonarista', avalia o cientista político João Paulo Peixoto.
A nomeação ocorre em meio a articulações para as eleições de 2026, nas quais Carlos Bolsonaro é cotado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados ou no Senado.



