O presidente Jair Bolsonaro evitou falar em uma nova era para a Caixa Econômica Federal durante a posse da nova presidente do banco, Daniella Marques, ocorrida em Brasília. Em seu discurso, Bolsonaro elogiou a nova presidente, classificando-a como “competente”, e negou que ela tenha assumido o cargo por ser mulher, sem mencionar diretamente as acusações de assédio sexual e moral que levaram à saída do ex-presidente Pedro Guimarães.
Discurso de Bolsonaro foca em eleições e evita polêmica
“Não começa nova era na Caixa, a Caixa continua. É difícil a gente ver mulher na economia. O espaço da mulher é em qualquer lugar. Não precisa botar cota para mulher, ela vai com seus próprios méritos. Vamos nos orgulhar da nossa Caixa Econômica Federal”, disse Bolsonaro, em um discurso que se concentrou mais na disputa eleitoral deste ano do que nas denúncias contra seu ex-aliado.
Ex-secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Marques assumiu o comando do banco após uma série de denúncias de assédio sexual e moral contra Pedro Guimarães, que nega as acusações. Guimarães era presidente da Caixa desde o início do governo Bolsonaro e tinha relação próxima com o presidente.
Campanha de reeleição recomendou crítica a Guimarães
Segundo apuração do Estadão/Broadcast, membros da campanha de reeleição de Bolsonaro recomendaram que ele criticasse publicamente a postura de Guimarães, em uma tentativa de recuperar parte do eleitorado feminino. No entanto, Bolsonaro evitou até agora fazer comentários mais incisivos sobre o caso.
Daniella Marques, por sua vez, isentou o presidente de não ter se posicionado sobre as denúncias. “Bolsonaro tomou a atitude necessária para proteger a imagem da Caixa, afastou envolvidos”, afirmou em coletiva de imprensa. “Ninguém tem interesse em perseguir nem proteger ninguém”, acrescentou.
Nova presidente destaca diálogo e união
De acordo com Daniella, ela foi bem recebida pelas mulheres do banco. “Brinquei com o presidente que foi ano-novo das mulheres. Dos 20 maiores, não tem nenhum banco sendo presidido por mulheres”, disse. Ela relatou que foi convidada por Bolsonaro na terça-feira à noite para comparecer ao gabinete no dia seguinte pela manhã.
“Vou trazer esse olhar aqui para dentro mas pretendo abrir uma frente de diálogo através da Febraban e mundo corporativo. Não é aceitável que se esteja ainda falando de assédio ou violência doméstica”, reiterou Daniella. “A gente vai tentar fazer frente ampla de união, eu fiz convite amplo para que todos se juntem à Caixa.”



