Alcolumbre defende que Senado não seja 'carimbador' de PEC do fim da escala 6x1
Alcolumbre: Senado não será 'carimbador' de PEC do fim da escala 6x1

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou nesta terça-feira (2) que a Casa não pode ser forçada a aprovar automaticamente a proposta de emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho, de autoria de deputados. "Não é razoável que a Câmara passe cinco meses debatendo um assunto tão relevante para o Brasil, para os trabalhadores e para os empreendedores, e o Senado seja obrigado a carimbar o texto aprovado na Câmara. Essa é a minha posição", afirmou.

A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, com apoio dos partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto foi enviado ao Senado na quinta-feira (28), um dia após a aprovação. No mesmo dia, Alcolumbre encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma outra PEC sobre jornada de trabalho, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição. Essa proposta cria um regime alternativo à CLT, permitindo que empregador e trabalhador negociem o valor do trabalho por hora.

Posição de Alcolumbre sobre tramitação

Interlocutores de Alcolumbre afirmaram que o envio da PEC de Marinho à CCJ seguiu o trâmite regimental, sem ser um aceno à oposição. O presidente do Senado reiterou que a PEC aprovada pela Câmara deve passar por pelo menos uma comissão, e há pedidos para criação de uma comissão especial. "Eu quero dizer, como presidente do Senado, que essa proposta vai ter que tramitar nas comissões. Porque as cobranças de todos os senadores é que todas as matérias possam passar, no mínimo, por uma comissão e que o Senado não seja uma casa carimbadora de propostas votadas na Câmara", afirmou.

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As regras internas do Senado preveem que PECs sejam analisadas apenas na CCJ antes do plenário. Segundo técnicos da Secretaria-Geral da Mesa, não há histórico de PECs que passaram por outra comissão. Diferentemente da Câmara, no Senado, apensar uma PEC a outra que já está em plenário não adianta a análise; o texto ainda precisa passar pela CCJ. Existe a possibilidade de líderes requererem apreciação direta pelo plenário, como ocorreu com a PEC da Transição em 2022, que foi votada em 12 horas.

Debate aprofundado

Alcolumbre espera que o Senado tenha tempo razoável para debater o tema: "Para que os senhores possam ler o texto, interpretar, ouvir os setores envolvidos, trabalhadores, quem produz, quem emprega. Espero que possamos promover um aperfeiçoamento no texto, se couber". Economistas destacam que o debate deve incluir ganhos de produtividade, com qualificação, inovação e investimentos em infraestrutura.

Detalhes da PEC aprovada na Câmara

A proposta altera a Constituição para limitar a jornada a oito horas diárias e 40 semanais, com exceções para compensações e acordos coletivos. A redução de quatro horas será em duas etapas: duas horas em até dois meses após a promulgação, e as restantes em até 12 meses. O fim da escala 6x1, com duas folgas semanais (preferencialmente aos domingos), entra em vigor 60 dias após a promulgação. O período de transição foi o principal ponto de discussão, com empresários pedindo tempo para adaptação. O relator definiu que, após 60 dias, convenções e acordos incompatíveis perdem validade automaticamente, forçando negociações.

Exceções e regras específicas

Ficam fora das novas regras trabalhadores com diploma de nível superior e renda a partir de 2,5 vezes o teto do INSS (cerca de R$ 21,1 mil), sob argumento de combater a pejotização. Para esses profissionais, não se aplicam as regras de jornada e controle de ponto.

Proposta alternativa de Rogério Marinho

A PEC de Marinho permite compensação de horários e redução de jornada por acordo individual, convenção coletiva ou contrato direto, inclusive por hora trabalhada. O contrato individual prevalece sobre instrumentos coletivos. O valor mínimo da hora será proporcional ao salário mínimo ou piso da categoria, calculado com base na jornada máxima. A jornada poderá ser flexível, respeitando o limite semanal, para conciliar vida pessoal e trabalho.

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