O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, defendeu a implementação de regras diferentes para homens e mulheres no programa Bolsa Família. Durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Zema afirmou que os homens beneficiários deveriam ser obrigados a estudar e realizar cursos técnicos, enquanto as mulheres, segundo ele, 'têm outras atribuições em casa'. A declaração gerou polêmica ao sugerir uma divisão de gênero nos critérios do programa social.
Proposta de condicionalidades de gênero
Zema argumentou que a medida visa incentivar a qualificação profissional masculina sem sobrecarregar as mulheres, que já desempenham funções domésticas. 'O homem tem que ter uma contrapartida mais forte: estudar, fazer curso técnico. A mulher já tem outras atribuições em casa', declarou. A proposta, no entanto, foi criticada por especialistas em políticas públicas, que apontam risco de reforçar estereótipos de gênero e desconsiderar a realidade de mulheres que também trabalham fora ou são chefes de família.
Flexibilização da CLT e reformas econômicas
No mesmo evento, o pré-candidato defendeu a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), propondo maior liberdade nas negociações entre empregadores e empregados. 'Precisamos de uma CLT mais moderna, que permita acordos diretos sem tanta burocracia', afirmou. Zema também defendeu reformas econômicas para gerar 'choques de credibilidade e ética', incluindo a redução do tamanho do Estado e a simplificação tributária.
Privatizações como estratégia fiscal
O governador mineiro prometeu privatizar estatais caso seja eleito presidente, com o objetivo de reduzir a dívida pública e liberar recursos para investimentos em infraestrutura. 'Vender empresas que não precisam ser do Estado é a forma mais rápida de sanear as contas e melhorar serviços', disse. Zema citou exemplos de privatizações bem-sucedidas em Minas Gerais, como a da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).
Reações e críticas
As declarações de Zema geraram reações imediatas. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) classificou a proposta como 'retrógrada e machista'. Já o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, elogiou a 'coragem de debater temas sensíveis'. Zema, no entanto, manteve sua posição, afirmando que 'é preciso tratar desigualdades com políticas específicas'. A proposta de condicionalidades de gênero no Bolsa Família deverá ser um dos pontos centrais de sua campanha presidencial.



