Visita de Flávio Bolsonaro a Washington complica negociações sobre tarifas dos EUA
Visita de Flávio Bolsonaro complica negociações sobre tarifas

A visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington tornou mais difíceis as chances de uma solução negociada para evitar novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, de acordo com integrantes do governo brasileiro.

Segundo fontes envolvidas nas negociações, o encontro de Flávio com o presidente Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e outras autoridades americanas alterou o ambiente diplomático em um momento em que Brasília buscava construir uma agenda de aproximação para reduzir tensões comerciais entre os dois países.

A percepção dentro do governo é que os acontecimentos da última semana seguiram uma sequência que reforçou a dimensão política do conflito. Poucos dias após as reuniões do senador com integrantes da administração republicana, os Estados Unidos anunciaram a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Em seguida, veio a conclusão da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), acompanhada da recomendação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

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Reações do governo

Nos bastidores, integrantes do Planalto afirmam que nenhuma dessas decisões foi recebida com surpresa. Desde a designação das facções criminosas como grupos terroristas, já havia a expectativa de que Washington avançaria para novas medidas de pressão contra o Brasil. O próprio Flávio afirmou publicamente que discutiu o tema das facções com Marco Rubio durante sua passagem pelos Estados Unidos. Dois dias depois da reunião, o Departamento de Estado formalizou a classificação.

Negociação entra em nova fase

O governo brasileiro vinha tentando construir uma saída negociada para o impasse comercial. No fim da semana passada, pela primeira vez desde o início das conversas com a gestão Trump, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apresentou aos americanos uma proposta de redução de tarifas sobre determinados produtos dos Estados Unidos.

Segundo uma apuração da CNN, a iniciativa foi considerada modesta até mesmo por integrantes das equipes de negociação, mas representava um movimento concreto após meses de troca de documentos e discussões técnicas. A avaliação no Planalto é que a divulgação do relatório do USTR ocorreu justamente quando as conversas começavam a migrar para uma etapa mais prática.

Por isso, integrantes do governo passaram a interpretar a recomendação de tarifas não apenas como resultado da investigação comercial iniciada em 2025, mas também como um instrumento adicional de pressão política.

Mais que comércio

O relatório americano reúne críticas que vão muito além das disputas tarifárias tradicionais. Entre os temas citados estão o Pix, decisões envolvendo plataformas digitais, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e desmatamento ilegal.

A amplitude dos argumentos reforçou a percepção dentro do governo de que a disputa extrapolou o campo econômico e passou a incorporar temas regulatórios, institucionais e políticos.

Por isso, interlocutores de Lula acreditam que a Casa Branca pode estar utilizando a ameaça tarifária para ampliar seu poder de barganha em outras agendas consideradas estratégicas. Entre os assuntos mencionados nos bastidores estão discussões envolvendo minerais críticos e terras raras, além da regulamentação das grandes plataformas de tecnologia que atuam no Brasil.

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