O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como “inaceitáveis, ofensivas e que atacam o chefe de Estado de um país amigo” as declarações do senador americano Marco Rubio sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A resposta veio após Rubio afirmar, em audiência no Senado dos EUA, que Lula seria “um dos líderes mais corruptos do mundo”.
Reação oficial do Itamaraty
Em nota divulgada nesta sexta-feira, 16 de julho, o Itamaraty repudiou veementemente as falas de Rubio. “São declarações inaceitáveis, ofensivas e que atacam o chefe de Estado de um país amigo”, disse Vieira. O chanceler reforçou que o Brasil espera respeito mútuo entre as nações e que comentários desse teor prejudicam o diálogo bilateral.
Vieira também lembrou que Lula foi eleito democraticamente e que o Brasil não aceita ingerências externas. “O presidente Lula tem legitimidade e não aceitamos que sua imagem seja maculada por acusações infundadas”, completou.
Contexto das declarações de Rubio
Marco Rubio, senador republicano pela Flórida e conhecido por posições duras contra governos de esquerda na América Latina, fez as declarações durante uma sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA. Ele criticou a política externa do governo Biden em relação ao Brasil e afirmou que Lula “representa uma ameaça à democracia na região”.
Rubio também mencionou investigações judiciais passadas contra Lula, que posteriormente foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O senador não apresentou novas evidências para sustentar suas acusações.
Impacto nas relações bilaterais
Analistas apontam que o episódio pode esfriar as relações entre Brasil e Estados Unidos, que vinham em processo de reaproximação após a posse de Lula. O governo brasileiro já havia demonstrado desconforto com declarações de autoridades americanas sobre a Amazônia e a política ambiental.
O Itamaraty informou que aguarda um posicionamento oficial do governo dos EUA sobre o caso. Até o momento, a Casa Branca não se manifestou. A expectativa é que o assunto seja tratado em reuniões bilaterais previstas para as próximas semanas.
Defesa da soberania nacional
Vieira concluiu sua declaração reafirmando o compromisso do Brasil com o diálogo respeitoso entre nações. “O Brasil sempre estará aberto ao diálogo, mas não aceitará desrespeito à sua soberania e ao seu chefe de Estado”, afirmou. O chanceler também pediu que o Senado americano se manifeste sobre o ocorrido.



