O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, deve conversar com Michelle Bolsonaro nos próximos dias na tentativa de reduzir a tensão entre ela e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo relatos de interlocutores do partido, porém, até esta quarta-feira Michelle permanecia irredutível. Nos bastidores do PL, também circula a versão de que a ex-primeira-dama estaria cogitando deixar a política para se dedicar à família.
Michelle cogita sair da política
De acordo com fontes próximas a Michelle, a insatisfação com o ambiente político e os embates familiares a levam a considerar o afastamento. Ainda não há decisão oficial, mas a possibilidade é tratada como real por aliados. Enquanto isso, na campanha de Flávio, a avaliação reservada é que Michelle permanece “à disposição” caso o cenário eleitoral mude drasticamente.
Hipótese de substituição na cabeça de chapa
Integrantes do entorno de Flávio trabalham com a hipótese de que Michelle poderia assumir a cabeça de chapa se o senador viesse a ser inviabilizado por novas revelações ou por um aprofundamento de investigações, como a do Caso Master. Essa possibilidade, no entanto, é descartada pela cúpula do PL. Dirigentes sustentam que Michelle não seria candidata à Presidência porque essa não seria a preferência de Jair Bolsonaro.
Valdemar reafirma Flávio como candidato
O próprio Valdemar tem reafirmado publicamente que o partido mantém Flávio como candidato e descarta, neste momento, substituí-lo por Michelle. “O partido está unido em torno do nome de Flávio”, disse Valdemar em entrevista recente. Apesar disso, o clima entre Michelle e os enteados segue de confronto. Aliados dos filhos de Jair Bolsonaro fazem circular a versão de que o ex-presidente teria sido contrário ao vídeo divulgado por Michelle recentemente. Até o momento, porém, não há comprovação pública dessa informação — nem documento, carta ou manifestação conhecida que a confirme.
Prioridade de Valdemar: pacificar a relação
Nos bastidores, Valdemar avalia que pacificar a relação é prioridade. A leitura do presidente do PL é que, se o grupo não conseguir se reunificar, chegará enfraquecido à disputa presidencial. Segundo interlocutores, ele também considera que uma derrota eleitoral agravaria a situação política e jurídica de Jair Bolsonaro. A tensão entre Michelle e Flávio expõe rachaduras no núcleo bolsonarista, que busca se consolidar para as eleições de 2026.



