Uefa ameaça boicotar Copa do Mundo se Fifa vender ativos a investidores
Uefa ameaça boicotar Copa se Fifa vender ativos

As 55 federações filiadas à Uefa concordaram, em reunião de emergência, em boicotar competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso Gianni Infantino mantenha o projeto de criar uma empresa para administrar os ativos comerciais do torneio e vender parte dela a investidores privados. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, representa a reação mais dura até agora ao plano do presidente da Fifa, que prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária responsável por concentrar direitos comerciais, de transmissão, patrocínio, licenciamento e operação dos torneios da entidade.

Ameaça de boicote sem precedentes

Se concretizado, o boicote deixaria a próxima Copa do Mundo sem algumas das principais seleções do planeta, como Inglaterra, França, Espanha, Alemanha, Itália e Portugal. Isso colocaria em xeque a viabilidade esportiva e comercial do torneio, que depende da participação das maiores potências do futebol para atrair audiência global e patrocinadores.

A Uefa convocou a reunião virtual após classificar o projeto de Infantino como uma medida que "ultrapassa uma linha que as entidades do futebol jamais deveriam cruzar". A entidade europeia também criticou a falta de transparência na elaboração da proposta, afirmando que foi apresentada sem consulta prévia às principais partes interessadas do futebol.

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O projeto Fifa Forward Enterprise

A Fifa sustenta que a criação da FFE precisa apenas da aprovação da maioria das 211 associações nacionais filiadas à entidade. Isso significa que, mesmo sem o apoio da Uefa, o projeto ainda poderá ser aprovado caso obtenha respaldo suficiente das demais confederações. A Fifa afirma que manteria o controle da governança do futebol e que o projeto depende da aprovação das associações nacionais, mas a Uefa vê a iniciativa como uma tentativa de privatizar o esporte.

Segundo a proposta, a FFE concentraria os direitos comerciais de todos os torneios da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, e poderia vender participações a investidores privados. A Uefa argumenta que isso transformaria a competição em um produto de investimento, ferindo o legado esportivo construído ao longo de gerações.

Reação da Uefa e riscos para o futebol

Em comunicado oficial, a Uefa declarou: "Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da Fifa de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da Fifa para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol."

A entidade europeia ainda acusou a Fifa de governar por intimidação, afirmando que "associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências". A Uefa destacou que "isso não é uma 'decisão democrática', mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global".

A crise entre as duas entidades coloca em risco a estabilidade do futebol internacional, com potenciais impactos em competições como a Eurocopa e a Liga das Nações. A pressão da Uefa, no entanto, pode não ser suficiente para barrar o projeto, já que a Fifa conta com o apoio de várias confederações fora da Europa, especialmente na Ásia e África, que veem na FFE uma oportunidade de aumentar receitas para o desenvolvimento do esporte.

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