Ouro se valoriza com sinais de Fed mais dovish
O ouro opera em alta nesta quarta-feira, impulsionado pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed) possa adotar uma postura mais flexível no curto prazo. O movimento ocorre em meio à divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) para o mês de junho, que mostrou estabilização, e à relativa calmaria nos preços do petróleo, que reduziu pressões inflacionárias.
PCE de junho reforça apostas em corte de juros
O núcleo do PCE, medida de inflação preferida do Fed, registrou variação dentro do esperado, reforçando a visão de que a política monetária restritiva está surtindo efeito. Analistas apontam que a desaceleração dos gastos do consumidor americano abre espaço para que o banco central central americano inicie um ciclo de afrouxamento monetário já nas próximas reuniões.
“A combinação de uma inflação sob controle e um mercado de trabalho robusto, mas com sinais de esfriamento, pode levar o Fed a considerar cortes de juros a partir de setembro”, afirmou um estrategista de um grande banco de investimentos. A possibilidade de juros mais baixos nos Estados Unidos tende a enfraquecer o dólar e reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro, fatores que historicamente beneficiam o ouro.
Petróleo estável alivia temores inflacionários
No mercado de petróleo, os preços operam estáveis, com o barril do Brent sendo negociado próximo de US$ 85. A estabilidade ajuda a conter as expectativas de inflação, permitindo que o Fed mantenha um tom mais accommodatício sem o risco de alimentar pressões de preços adicionais.
A ata da última reunião do Fed, divulgada na semana passada, já havia indicado que a maioria dos membros do comitê vê riscos equilibrados para a inflação e o emprego, aumentando as chances de um ajuste na taxa de juros. O mercado agora precifica uma probabilidade de cerca de 70% de um corte de 25 pontos-base na reunião de setembro.
Impacto sobre o ouro e perspectivas
O metal precioso, cotado em dólar, beneficia-se diretamente da perspectiva de juros mais baixos. Cada onça troy de ouro é negociada acima de US$ 2.400, com ganhos modestos no pregão. “O cenário de curto prazo é favorável ao ouro, especialmente se os dados de emprego dos EUA confirmarem a desaceleração do mercado de trabalho”, destacou um analista de commodities.
Além disso, a demanda física por ouro permanece robusta, com compras de bancos centrais e consumidores asiáticos sustentando o preço. A combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos deve manter o metal em terreno positivo nas próximas semanas.



