Teorias da conspiração em Copas: de 1998 a 2026, veja as principais
Teorias da conspiração em Copas: de 1998 a 2026

Um vídeo curto de Lionel Messi falando com os companheiros antes da final da Copa do Mundo de 2026 virou ponto de partida para teorias da conspiração sobre a derrota da Argentina para a Espanha. A frase “esqueçamos tudo” foi interpretada nas redes sociais como referência a uma suposta ameaça recebida pelo elenco, que teria sido avisado de que não poderia conquistar o bicampeonato. Esse tipo de tese conspiratória, no entanto, não é novidade em Copas do Mundo.

A Copa ‘vendida’ de 1998

Uma das teorias da conspiração mais famosas envolve o Brasil na Copa do Mundo de 1998. Após a derrota por 3 a 0 para a França na final, criou-se a narrativa de que o campeonato teria sido “vendido” à seleção francesa, anfitriã daquele Mundial, em troca de vantagens comerciais e alívio de dívidas. O Brasil, por sua vez, ficaria com o título de 2002 — o que realmente aconteceu, mas sem provas de acordo.

O súbito mal-estar de Ronaldo Fenômeno, craque da seleção de Zagallo, horas antes da partida, e as sucessivas alterações na escalação oficial alimentaram a suspeita de manipulação. A teoria ganhou tanta força que, em 2000, a Câmara dos Deputados instaurou a CPI da CBF/Nike para investigar contratos da seleção e a polêmica derrota. A comissão apurou a misteriosa convulsão de Ronaldo e a suspeita de interferência da fornecedora de material esportivo em sua escalação. Diversas pessoas foram convocadas, incluindo Zagallo e o próprio Ronaldo. Até a decisão sobre quem marcaria Zidane foi questionada. Apesar dos dezenas de depoimentos e da grande repercussão, a CPI foi encerrada sem provar interferência comercial ou esquema de venda da Copa. A teoria rendeu a famosa frase: “Se as pessoas soubessem o que aconteceu na Copa do Mundo, ficariam enojadas”.

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‘Mala Preta’ da Argentina em 1978

Outra teoria famosa cerca a Copa de 1978, realizada durante a ditadura militar na Argentina. O ex-general Jorge Rafael Videla, que governou o país entre 1976 e 1981, teve seu nome envolvido em polêmicas. Nas semifinais, a Argentina precisava vencer o Peru por quatro gols de diferença para tirar a vaga do Brasil, que havia vencido a Polônia por 3 a 1. Os argentinos, sabendo do resultado necessário — a partida foi adiada para duas horas após o jogo do Brasil —, golearam por 6 a 0. Relatos apontam que Videla teria visitado o vestiário peruano antes da partida. O Brasil ficou com o terceiro lugar, invicto, e o “título” de campeão moral.

Coreia do Sul em 2002

A campanha da Coreia do Sul em 2002, que eliminou Itália e Espanha, é constantemente alvo de teorias devido a polêmicas e graves falhas de arbitragem. Suspeitou-se que a Fifa estaria interessada em impulsionar um país anfitrião asiático para promover o esporte na região.

‘Esqueçamos tudo’: Argentina em 2026

Após a derrota da Argentina para a Espanha por 1 a 0 na final de 2026, surgiram teorias sobre suposta pressão institucional da Fifa para favorecer seleções europeias. A frase “esqueçamos tudo”, dita por Messi no vestiário, foi interpretada como aviso de que não poderiam ser campeões, embora jogadores como De Paul tenham refutado qualquer manipulação. Outra versão, do jornalista argentino Pablo Carrozza, afirma que Gianni Infantino teria acertado com a Uefa a conquista de uma seleção europeia em troca de apoio à sua permanência na presidência da Fifa — acusação sem provas. O desgaste entre Uefa, Conmebol e AFA, agravado pela frustrada Finalíssima, foi usado como contexto para uma negociação nunca demonstrada.

O árbitro esloveno Slavko Vincic também entrou nas teorias: publicações afirmam que ele teria sido preso por tráfico de pessoas e estaria sujeito a chantagens. A informação é enganosa. Vincic estava em um local alvo de operação policial contra prostituição, drogas e armas na Bósnia em 2020, foi levado como testemunha, liberado sem acusação e não respondeu a processo. Decisões de Lionel Scaloni e lances da partida completam a narrativa: ausência de Lautaro Martínez, uso de jogadores com problemas físicos, substituições, expulsão de Enzo e desatenção de Giuliano Simeone no gol espanhol. São episódios reais e discutíveis do ponto de vista esportivo, mas nenhum comprova interferência externa. Não há sequência de arbitragem que demonstre favorecimento deliberado à Espanha.

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A atuação argentina, muito abaixo do esperado, ajudou a dar alcance às suspeitas. A seleção que chegou à final com 19 gols não finalizou durante os 90 minutos e sofreu 20 tentativas espanholas. A diferença entre expectativa e desempenho abriu espaço para explicações externas, embora o jogo ofereça uma mais direta: a Espanha controlou a bola, o campo e o ritmo, enquanto a Argentina não conseguiu levar Messi às regiões onde ele havia decidido partidas anteriores.