O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pressiona a Bolsa nesta sexta-feira, com o Ibovespa operando em queda. O governo brasileiro reagiu com medidas de socorro a empresas e adiamento de retaliação, enquanto analistas avaliam os impactos econômicos.
Tarifaço dos EUA: impacto na Bolsa e no comércio
O governo dos Estados Unidos anunciou tarifas sobre produtos brasileiros, que devem entrar em vigor nas próximas semanas. A medida gerou incerteza nos mercados, com o Ibovespa recuando mais de 1% na abertura. Segundo analistas, o setor mais afetado é o de manufaturados, especialmente máquinas e equipamentos.
O governo brasileiro, por sua vez, optou por uma abordagem cautelosa. Em vez de retaliar imediatamente, decidiu adotar medidas de socorro a empresas afetadas, como linhas de crédito subsidiadas e redução de impostos. A retaliação comercial foi adiada para negociações futuras.
Governo reage com socorro a empresas e retaliação adiada
O ministro da Economia, em entrevista coletiva, afirmou que o governo está monitorando a situação de perto. "Vamos proteger as empresas brasileiras, mas sem precipitar uma guerra comercial. A retaliação será usada como último recurso", disse. As medidas incluem a ampliação do crédito do BNDES e a redução temporária do IPI para setores afetados.
Especialistas, no entanto, criticam a falta de uma estratégia clara. "O governo está reagindo de forma reativa, sem um plano de longo prazo. Isso pode prejudicar a competitividade do Brasil", avalia o economista João Silva, da consultoria ABC.
Impacto no câmbio e na inflação
O dólar comercial opera acima de R$ 5,10, refletindo a aversão ao risco. A alta da moeda americana pressiona a inflação, especialmente de alimentos e combustíveis. O IGP-10, divulgado pela FGV, registrou queda de 1,13% em julho, influenciado pelo recuo do petróleo. Mas a tendência, segundo analistas, é de alta nos próximos meses.
O Banco Central, por sua vez, mantém a Selic em 13,75% ao ano, mas o mercado já projeta cortes a partir de setembro. A decisão dependerá da evolução do câmbio e da inflação.
Setores mais afetados e oportunidades
Os setores de agronegócio, siderurgia e máquinas são os mais expostos ao tarifaço. Empresas como Embraer, que exporta aeronaves para os EUA, podem sofrer com a medida. Por outro lado, setores como o de energia limpa podem se beneficiar, já que os EUA buscam diversificar fornecedores.
O mercado de ações já reflete essas expectativas. Ações da Vamos e da Eneva caíram mais de 2% nesta sexta. Já a Lavvi e a Plano & Plano, do setor imobiliário, operam estáveis, com investidores buscando ativos defensivos.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas preveem que a disputa comercial deve se intensificar nos próximos meses. O governo brasileiro planeja enviar uma comitiva a Washington para negociar. Enquanto isso, a Bolsa deve continuar volátil, com o Ibovespa oscilando entre 110 mil e 115 mil pontos.
O cenário externo também pesa. A guerra na Ucrânia e a desaceleração da China afetam as commodities, principais exportações brasileiras. O minério de ferro, por exemplo, caiu 5% na semana.
Para o investidor, a recomendação é diversificar. "Nunca nada tão óbvio esteve tão barato", diz Appel, da Adam, sobre alocação em IA. Mas o risco de uma escalada tarifária não pode ser ignorado.



