A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros transformou-se em uma disputa política em ano eleitoral no Brasil. Enquanto o presidente Lula busca reverter a medida por vias diplomáticas, seu principal opositor nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), viajou aos Estados Unidos na semana passada. Lá, ele se reuniu com autoridades do Escritório de Representação do Comércio americano (USTR) em Washington, juntando-se ao irmão Eduardo Bolsonaro, que reside no país.
Disputa política em torno do tarifaço
Nos últimos dias, diversas audiências foram realizadas no âmbito da investigação aberta com base na Seção 301, que subsidiará a decisão final sobre as tarifas. Flávio Bolsonaro propôs que o governo americano adiasse a decisão para após as eleições brasileiras, marcadas para outubro. "Em apenas 90 dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente", declarou ele nos EUA.
Segundo pesquisa Quaest, 50% dos eleitores afirmam conhecer e não votariam em Lula, enquanto 57% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. O levantamento também indica que Lula abriu 12 pontos de vantagem no primeiro turno em relação a Flávio desde o anúncio das possíveis sanções.
Fala de Flávio Bolsonaro em audiência
Em audiência, Flávio argumentou: "Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir", conforme nota divulgada por sua assessoria. A avaliação na pré-campanha do PL era que Flávio precisava deixar os EUA com a imagem de quem defendeu empresas brasileiras e tentou impedir o tarifaço.
Reação do governo Lula
Em resposta, integrantes do governo acusaram o clã bolsonarista de atuar contra o Brasil e prejudicar exportadores. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), Márcio Elias Rosa, um dos principais negociadores brasileiros ao lado do embaixador Mauro Vieira, afirmou: "Não há espaço para discussão de outra natureza política, eleitoral, egoística, qualquer outro interesse que não seja o interesse do Brasil, a defesa da soberania e a defesa dos reais interesses do Brasil." Ele acrescentou que as negociações focam exclusivamente na relação comercial e na intenção do Brasil em colaborar contra o crime organizado.
Possível decisão iminente
Sem avanços, a decisão sobre o tarifaço poderá ser tomada nesta quarta-feira. O USTR concluiu em junho a investigação comercial contra o Brasil e propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções previstas em uma lista específica de produtos. A medida é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao governo americano apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA e adotar sanções. A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025 por ordem de Trump.



