O recente aumento das tarifas de energia elétrica, anunciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aprofundou a crise na pré-campanha do ex-governador Flávio Dino (PSB) ao Senado. O reajuste médio de 18,9% nas contas de luz, que entrou em vigor em 1º de julho, gerou forte reação negativa entre eleitores e aliados políticos, colocando Dino em uma posição defensiva.
Impacto imediato na popularidade
Pesquisa do instituto Datafolha, divulgada no último sábado, mostra que a aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu de 52% para 46% desde maio, coincidindo com o anúncio do tarifaço. Para Dino, que busca uma vaga no Senado pelo Maranhão, o cenário é ainda mais desafiador: sua intenção de voto caiu 4 pontos percentuais, passando de 38% para 34% na mesma pesquisa. "O tarifaço pegou a campanha de surpresa e está sendo explorado pela oposição", afirmou o cientista político Carlos Melo, da Universidade de São Paulo.
Reações no campo político
Aliados de Dino criticam a falta de comunicação do governo federal sobre o aumento. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) classificou a medida como "um tiro no pé" e defendeu a revisão imediata dos valores. Em contrapartida, a oposição, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intensificou ataques, associando Dino ao reajuste. "Flávio Dino é o principal cabo eleitoral de Lula no Maranhão, e agora está pagando o preço", disse o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Consequências para a pré-campanha
A crise obrigou Dino a ajustar sua estratégia de comunicação. Em evento em São Luís na última quarta-feira, ele afirmou que "o tarifaço é um erro que precisa ser corrigido" e prometeu atuar para reduzir as tarifas caso eleito. No entanto, analistas apontam que o desgaste pode comprometer sua vantagem eleitoral. "Dino precisa urgentemente se distanciar da imagem de defensor do governo, mas sem romper com Lula", explicou a analista política Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor Econômico.
Dados e projeções
Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, o aumento das tarifas foi motivado pela alta no preço do petróleo e pela escassez hídrica. O custo médio da energia para residências subiu de R$ 0,56 para R$ 0,67 por kWh. Projeções do mercado indicam que, se mantido o cenário atual, a inflação pode subir 0,3 ponto percentual em 2026, impactando diretamente o poder de compra da população. "O tarifaço é um problema macroeconômico que se torna político", afirmou o economista José Roberto Mendonça de Barros.
Próximos passos
A pré-campanha de Flávio Dino agora aposta em ações judiciais e mobilização no Congresso para reverter o reajuste. Na próxima semana, aliados devem protocolar uma ação popular contra a Aneel, questionando a metodologia de cálculo. Enquanto isso, Dino intensifica visitas a municípios do interior, tentando conter o avanço da oposição. A eleição para o Senado está marcada para outubro de 2026.



