Rejeitado na chapa da direita, Salles aposta no agro para Senado em SP
Salles aposta no agro para Senado em SP após rejeição

O ex-ministro do Meio Ambiente e deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) foi rejeitado pela chapa da direita para compor a aliança majoritária, mas já traçou uma estratégia própria para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. Sem o apoio formal do palanque de Jair Bolsonaro ou do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Salles aposta no eleitorado do agronegócio e em uma campanha agressiva contra os candidatos apoiados por Tarcísio, especialmente o deputado estadual André do Prado (PL), a quem classifica como representante do “centrão”.

Estratégia de desgaste e discurso anti-forasteiro

Além de mirar em André do Prado, Salles também utiliza um discurso “anti-forasteiro” para criticar as candidaturas de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) ao Senado. Ele argumenta que ambas não são paulistas e não conhecem as demandas do estado. “São Paulo precisa de um representante que conheça a realidade do agro e da indústria paulista, não de alguém que vem de fora para fazer carreira aqui”, afirmou Salles em evento no interior do estado, segundo sua assessoria.

O ex-ministro aposta na força do agronegócio paulista, que responde por cerca de 18% do PIB do estado, segundo dados da Secretaria de Agricultura. Ele já participou de ao menos 12 reuniões com sindicatos rurais e cooperativas no último mês, buscando consolidar uma base que, em 2022, ajudou a elegê-lo deputado federal com mais de 200 mil votos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na disputa e reação dos adversários

A candidatura avulsa de Salles pode fragmentar o eleitorado de direita e beneficiar candidatos de centro-esquerda. Pesquisas internas do PL mostram que Salles tem entre 8% e 12% das intenções de voto, enquanto André do Prado oscila entre 15% e 18%. “Ele não tem chance de vencer, mas pode tirar votos importantes do nosso candidato”, disse um aliado de Tarcísio sob condição de anonimato.

André do Prado, por sua vez, evita confronto direto. “Foco em apresentar minhas propostas para o agro e para a segurança pública. O eleitor saberá escolher”, declarou em nota. Já Marina Silva e Simone Tebet não comentaram as críticas de Salles até o fechamento desta edição.

O cenário eleitoral em São Paulo

A disputa ao Senado por São Paulo em 2026 promete ser acirrada. Além de Salles, André do Prado, Marina Silva e Simone Tebet, outros nomes como o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o empresário José Luiz Datena (PSDB) também são cotados. A ausência de uma chapa unificada na direita abre espaço para que o PT e o PSDB tentem eleger um representante. Salles, mesmo sem apoio oficial, mantém contato com setores do agronegócio e promete uma campanha “pé no chão”.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar