Uma nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corre o risco de não vencer a eleição de 2026 no primeiro turno. Com 48% dos votos válidos, o petista está dois pontos percentuais abaixo do índice necessário para evitar uma segunda rodada contra o candidato da oposição, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Queda no Nordeste preocupa
O levantamento, realizado entre os dias 10 e 14 de julho, ouviu 2.500 eleitores em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Segundo o Datafolha, a principal razão para a queda de Lula é a perda de apoio no Nordeste, sua base tradicional. Na região, o presidente caiu de 62% para 55% das intenções de voto desde maio.
“O Nordeste sempre foi o celeiro de votos de Lula. Se essa erosão continuar, ele pode ter dificuldade até mesmo de chegar ao segundo turno com vantagem confortável”, afirmou o cientista político Antônio Lavareda, em análise ao jornal O Globo.
Economia e Lava Jato pesam
Outro fator apontado pela pesquisa é a insatisfação com a economia. Apesar da queda da inflação, o desemprego ainda atinge 8,5% da população. Além disso, a reabertura de investigações da Lava Jato, com novas delações, tem gerado desgaste. “O eleitor começa a ter dúvidas sobre a integridade do governo”, disse o analista político Maurício Moura, em entrevista à rádio CBN.
Disputa acirrada no Sudeste
No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, Lula aparece com 44% contra 40% de Tarcísio. O governador paulista tem crescido entre eleitores de renda mais alta e no interior, enquanto Lula mantém vantagem nas periferias das grandes cidades.
A pesquisa também mostra que 12% dos eleitores ainda estão indecisos ou pretendem votar em branco ou nulo. Esse contingente pode ser decisivo para definir a eleição.
Cenário de segundo turno
Caso a eleição fosse hoje, Lula e Tarcísio iriam para o segundo turno. Nesse cenário, o petista teria 51% contra 49% do adversário, empate técnico dentro da margem de erro. “O segundo turno é uma incógnita. Lula ainda tem capacidade de reação, mas o tempo é curto”, ponderou Lavareda.
O presidente está ciente do risco. Em eventos recentes, ele tem intensificado a agenda no Nordeste e anunciado novos programas sociais para tentar reverter a tendência. A oposição, por sua vez, aposta no desgaste natural de um governo que completa três anos em 2026.



