Quem tinha renda fixa na Argentina quebrou e não viu a cor do dinheiro, alerta Paolo Di Sora, sócio da gestora RPS Capital. O gestor defende reduzir drasticamente as aplicações em renda fixa no Brasil para proteger o patrimônio antes das eleições.
Renda fixa brasileira: risco à vista
Segundo Di Sora, a fatia investida em títulos de dívida no país é gigantesca e perigosa no cenário atual. Ele sugere trocar esses papéis por ativos reais, como imóveis ou ações de empresas sólidas, que resistem melhor às crises.
As recomendações foram feitas durante entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. O gestor usa sua experiência de dez anos investindo no mercado argentino para prever os riscos da volatilidade política brasileira.
Estratégia defensiva com menos de seis meses para as eleições
Com menos de seis meses para a disputa eleitoral, a estratégia foca em uma carteira defensiva. A ideia é dolarizar parte do capital e aguardar o período de incertezas passar com segurança.
No mercado nacional, o gestor prefere setores de energia, shoppings e empresas que vendem para fora do país. Ele destaca a Embraer (EMBR3) e a Vale (VALE3), que considera barata diante do preço atual do minério de ferro.
Apostas no Brasil e no exterior
Outra saída para o investidor brasileiro são os recibos de ações estrangeiras, os chamados BDRs, ou o índice S&P 500. Companhias sólidas como a Coca-Cola (COCA34) também entram no radar como forma de proteção em dólar.
Fora do Brasil, o grande foco de Di Sora é o avanço da inteligência artificial. Ele mantém posições na taiwanesa TSMC (TSMC34) e na Nvidia (NVDC34), acreditando que esse setor terá investimentos firmes por anos. O gestor também aposta no Google (GOGL34), vendo a empresa como uma das vencedoras da corrida tecnológica. Por outro lado, ele evita a Europa, cuja economia considera frágil e focada em gastos de baixo retorno.
O “inverno” do mercado de fundos
Para Collazo, o mercado de fundos vive um de seus momentos mais duros: produtos isentos de imposto, como LCIs e LCAs, vêm “sugando” os recursos que antes iam para os fundos de investimento — pressão à qual ainda se somam o crédito privado e os fundos estruturados.
Diante desse cenário, Di Sora conta que a RPS Capital diversificou sua atuação e lançou produtos como o fundo RPS Long Bias Argentina. Para o gestor, é a solidez da governança da casa que garante a continuidade do negócio nesse momento difícil.
Apesar do pessimismo de curto prazo, Di Sora vê o setor financeiro como uma indústria cíclica, que voltará a viver uma nova fase de alta. “A RPS vai estar do outro lado da ponte” quando esse ciclo começar, afirma o gestor.
Brasil não virará Venezuela, mas oportunidades surgirão
Ele descarta, ainda, qualquer chance de o Brasil se tornar uma Venezuela, mesmo num cenário econômico ruim. Para Di Sora, o mercado brasileiro se ajusta rápido e momentos de estresse acabam criando chances raras de lucro.
“Vai ser a oportunidade de encher a mão”, prevê o gestor sobre as quedas bruscas que podem ocorrer. Ele lembra que ajustes rápidos, como os vistos em governos passados, costumam abrir janelas valiosas para o investidor.
Otimismo na Argentina e cautela no Brasil
O momento atual exige operações rápidas e evita manter o mesmo investimento por muito tempo no Brasil. Diferente daqui, o clima na Argentina é de otimismo, o que motivou a criação de produtos específicos para aquele país.
Mesmo que sua estratégia de proteção apresente falhas, Di Sora calcula que a perda máxima ficaria em torno de 6%. O objetivo principal é não ficar preso em aplicações que podem derreter durante as turbulências políticas.
Receita para atravessar o período eleitoral
No fim, a receita para atravessar o período eleitoral é simples: menos renda fixa, mais ativos reais e dólar no bolso. A estratégia busca superar a instabilidade e chegar com fôlego ao próximo período de bonança.



