O pré-candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Para Renan, a medida cria um ambiente de vitimização que beneficia o bolsonarismo e fortalece Flávio como possível candidato ao Palácio do Planalto em 2026.
Decisão de Moraes e reação de Renan
“O Alexandre de Moraes, na bizarrice dele, se tornou uma espécie de cabo eleitoral do Flávio Bolsonaro”, afirmou Renan Santos. A declaração foi dada após o ministro suspender por 90 dias o direito de visita de Flávio ao pai, como resposta à transmissão ao vivo feita pelo senador no sábado, 11, na qual leu uma carta escrita à mão pelo ex-presidente. No texto, Bolsonaro pedia que apoiadores “deixem as diferenças” e chamava o filho de “porta-voz em quem confio”.
Para Moraes, Flávio utilizou o direito de visita com “exclusiva finalidade” de divulgar a carta nas redes sociais, configurando desvio de finalidade e descumprimento da medida cautelar que impede Bolsonaro de usar plataformas digitais, inclusive por meio de terceiros. Flávio, por sua vez, classificou o ato do ministro como uma “desculpinha” para tirar o pai da prisão domiciliar e interferir nas eleições.
Comparação com o caso Lula
Renan Santos comparou a situação com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso e Fernando Haddad disputou a eleição presidencial de 2018 com o apoio do petista. “O Haddad fez campanha com uma carta do Lula, recebeu o apoio dele. Aí as pessoas percebem que há dois pesos e duas medidas”, declarou.
Para o pré-candidato, a decisão de Moraes desvia o foco de outras controvérsias envolvendo Flávio. “Às vezes eu acho que o Alexandre de Moraes é o marqueteiro do Flávio, porque tudo que ele quer e precisa é de um Bolsonaro para brigar. Aí as pessoas se esquecem do envolvimento dele no escândalo do Banco Master”, afirmou.
Impacto político e desdobramentos
A suspensão do direito de visita de Flávio Bolsonaro ao pai ocorre em meio a um cenário político tenso, com o ex-presidente cumprindo prisão domiciliar e a família Bolsonaro mantendo forte atuação nas redes sociais. A medida de Moraes, que vigora por 90 dias, reacende o debate sobre a atuação do STF em casos envolvendo políticos e a suposta perseguição a opositores.
Renan Santos, que se apresenta como pré-candidato pelo Missão, busca capitalizar a insatisfação com a decisão para fortalecer sua própria campanha. A crítica a Moraes também serve para alinhar o discurso de Renan ao bolsonarismo, tentando atrair eleitores descontentes com o Judiciário.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro continua a usar as redes sociais para criticar a decisão e manter o engajamento de seus apoiadores. O senador é visto como um dos principais nomes da direita para 2026, e a polêmica pode impulsionar sua pré-candidatura.



