O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou na segunda-feira (22) que renunciará à liderança do governo britânico, abrindo caminho para que o país tenha seu sétimo líder em um período de 10 anos. O caos político remonta ao referendo do Brexit, que completa exatamente 10 anos nesta terça-feira (23).
Linha do tempo da crise política no Reino Unido
Em junho de 2016, os britânicos votaram por 52% a 48% pela saída da União Europeia, encerrando uma união de mais de 40 anos e mergulhando o país em sua maior crise política desde a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro conservador David Cameron renunciou, e o partido escolheu Theresa May como sua sucessora.
Em junho de 2017, Theresa May convocou eleições antecipadas para ampliar sua maioria no Parlamento, mas os conservadores perderam a maioria e formaram governo com o Partido Unionista Democrático. Em maio de 2019, após não conseguir romper o impasse do Brexit, May renunciou, e Boris Johnson assumiu.
Em dezembro de 2019, Boris Johnson levou os conservadores à maior vitória eleitoral desde Margaret Thatcher em 1987, com o slogan “Concluir o Brexit”. Em janeiro de 2020, o Brexit foi concluído, e o Reino Unido deixou a UE.
Em julho de 2022, após uma série de escândalos, Boris Johnson renunciou. Em setembro de 2022, Liz Truss assumiu, mas seu “miniorçamento” com cortes de impostos sem financiamento assustou os mercados, e ela permaneceu apenas 44 dias no cargo. Em outubro de 2022, Rishi Sunak tornou-se primeiro-ministro, prometendo restaurar a estabilidade.
Em maio de 2024, Sunak convocou eleições para 4 de julho, e Keir Starmer, do Partido Trabalhista, venceu com ampla margem, mas com a menor participação de votos de um governo majoritário na história moderna. Em agosto de 2024, Starmer alertou que “as coisas vão piorar antes de melhorar”, citando um “buraco econômico” herdado.
Escândalo Mandelson e crise no governo
Em outubro de 2024, a ministra das Finanças, Rachel Reeves, anunciou aumentos de impostos de £40 bilhões por ano, principalmente nas contribuições previdenciárias dos empregadores, colocando a carga tributária no caminho de atingir seu nível mais alto em tempos de paz. Em fevereiro de 2025, o partido de direita anti-imigração Reform UK, liderado por Nigel Farage, ultrapassou o Partido Trabalhista em pesquisas nacionais pela primeira vez.
Em junho de 2025, Starmer foi forçado a reverter planos de cortar gastos sociais após parlamentares de seu próprio partido ameaçarem derrubar o governo. Entre setembro de 2025 e abril de 2026, o escândalo envolvendo Peter Mandelson, nomeado embaixador em Washington e posteriormente demitido por ligações com Jeffrey Epstein, aumentou a pressão sobre Starmer.
Em maio de 2026, o Partido Trabalhista sofreu grandes perdas nas eleições locais, e o Reform UK foi o principal beneficiário. No mesmo mês, o ministro da Saúde, Wes Streeting, renunciou, dizendo ter perdido a confiança na liderança de Starmer. Em junho de 2026, o ministro da Defesa, John Healey, também renunciou, acusando Starmer de não comprometer recursos para a segurança do país.
Andy Burnham surge como favorito
Em junho de 2026, o prefeito de Manchester, Andy Burnham, venceu uma eleição no norte da Inglaterra, derrotando o Reform UK e retornando a Westminster. Streeting, que havia dito anteriormente que participaria de uma disputa pela liderança, passou a apoiar Burnham, fortalecendo sua posição como principal candidato a substituir Starmer.
Segundo analistas, Burnham é visto como um nome capaz de unificar o partido e enfrentar o avanço do Reform UK. A renúncia de Starmer ocorre em meio a um cenário de instabilidade política e econômica, com o Reino Unido enfrentando altas dívidas, aumento dos gastos sociais e crescente volatilidade geopolítica.



