Queda de Flávio na direita não bolsonarista causa apreensão na campanha
Queda de Flávio na direita não bolsonarista causa apreensão

A campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência enfrenta um momento delicado. Dados internos revelam uma queda significativa no apoio entre eleitores da direita não bolsonarista, o que tem causado apreensão entre aliados. Apesar disso, a estratégia de ataque ao Supremo Tribunal Federal (STF) não será abandonada, segundo fontes da campanha.

Queda no apoio e ofensiva judicial

Pesquisas recentes mostram que Flávio perdeu cerca de 8 pontos percentuais entre os eleitores que se identificam com a direita mas não são bolsonaristas radicais. Esse grupo, que antes representava 23% das intenções de voto, agora caiu para 15%. A campanha atribui a queda às restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, que limitaram a comunicação do candidato nas redes sociais.

Em resposta, Flávio intensificou os discursos contra o Judiciário. Em evento em Fortaleza, ele afirmou: "Não vamos nos calar diante de abusos. O STF não pode se tornar um poder acima da Constituição". A fala foi bem recebida pela base bolsonarista, mas gerou desconforto entre os moderados.

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Tentativa de atrair a centro-direita

Para reverter o cenário, a campanha tenta emplacar a imagem de Flávio como um "conciliador". Aliados promovem encontros com lideranças da centro-direita, como o ex-governador João Doria e o senador Rodrigo Pacheco. No entanto, até agora, o avanço é tímido. "Ele precisa mostrar que não é apenas o filho do Bolsonaro, mas um político com propostas próprias", avaliou o cientista político Carlos Melo.

A estratégia inclui propostas de diálogo institucional, como a criação de um pacto pela governabilidade. Mas a ofensiva contra o STF continua sendo o carro-chefe da comunicação, o que gera contradições. "É difícil ser conciliador enquanto ataca o Judiciário", ponderou o analista de pesquisa Marcos Coimbra.

Impacto nas alianças

A queda na direita não bolsonarista também afeta as negociações de coligações. Partidos como o União Brasil e o Progressistas têm demonstrado resistência em fechar apoio total. "Eles querem garantias de que Flávio não radicalizará o discurso", revelou um assessor da campanha. Enquanto isso, o PL, partido de Flávio, mantém a base fiel, mas pressiona por mudanças na comunicação.

Com 40% das intenções de voto no primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha, Flávio ainda lidera, mas a vantagem sobre Lula (35%) encolheu. A campanha aposta que a manutenção da ofensiva contra o STF manterá o eleitorado fiel, enquanto as ações conciliatórias tentam atrair os indecisos. O tempo, porém, é curto: faltam três meses para as eleições.

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