O PT está evitando pautas de costumes, como aborto e casamento gay, em sua estratégia para conquistar o voto evangélico e vê o caso Master como um motivo para o crescimento de Lula nesse segmento. Temas polêmicos ficaram de fora do congresso mais recente da sigla voltado ao público religioso.
Estratégia de aproximação com evangélicos
O partido tem adotado uma postura cautelosa em relação a questões que historicamente afastam o eleitorado evangélico. Em vez de defender pautas progressistas, o PT tem focado em programas sociais e no respeito às igrejas, evitando explorar tópicos que possam gerar rejeição.
Segundo lideranças petistas, o desgaste do bolsonarismo entre evangélicos abre espaço para uma nova aproximação. Além disso, o caso Master — escândalo envolvendo figuras ligadas ao governo anterior — teria contribuído para que Lula ganhe simpatia entre religiosos.
Congresso sem pautas de costumes
No congresso mais recente do PT voltado ao público religioso, não houve discussão sobre aborto ou casamento gay. A decisão foi deliberada, conforme fontes internas, para não afastar potenciais apoiadores. Em carta ao segmento, o partido reforçou compromissos com um Brasil mais inclusivo e justo, mas sem mencionar temas polêmicos.
“Estamos construindo pontes, não muros”, afirmou um dirigente petista, sob condição de anonimato. A estratégia parece estar dando resultados: pesquisas internas indicam crescimento de Lula entre evangélicos, especialmente após o caso Master.
Impacto do caso Master
O caso Master, que envolve acusações de corrupção e desvio de recursos públicos por parte de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria gerado descontentamento entre evangélicos. Para o PT, isso representa uma oportunidade de conquistar esse eleitorado, que antes era base sólida do bolsonarismo.
“O caso Master mostrou que a aliança com o bolsonarismo não trouxe benefícios reais para as igrejas”, disse um analista político. O PT, por sua vez, aposta na imagem de Lula como líder capaz de unir o país e respeitar todas as crenças.
Desafios futuros
Apesar do otimismo, o PT enfrenta resistência de setores mais conservadores dentro do próprio partido, que defendem pautas progressistas. A líder do movimento negro do partido, por exemplo, criticou a omissão sobre direitos LGBTQIA+. “Não podemos abrir mão de nossas bandeiras históricas”, afirmou.
No entanto, a cúpula petista mantém a estratégia de focar em pautas econômicas e sociais, deixando questões de costumes para um segundo plano. O objetivo é ampliar a base de apoio sem alienar nenhum segmento.
Com as eleições se aproximando, o PT espera que a combinação de desgaste do bolsonarismo, caso Master e uma abordagem moderada seja suficiente para conquistar o voto evangélico e garantir a reeleição de Lula.



