PL recorre a Michelle para definir vice e atrair eleitoras
PL recorre a Michelle para definir vice e atrair eleitoras

A dificuldade do Partido Liberal (PL) para consolidar alianças nacionais abriu caminho para uma estratégia que ganhou força na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): transformar a escolha da candidata a vice-presidente em um gesto político direcionado a Michelle Bolsonaro. Diante da possibilidade cada vez mais real de uma chapa composta exclusivamente por filiados da legenda, dirigentes partidários passaram a defender que a ex-primeira-dama participe ativamente da definição do nome. Paralelamente, Michelle intensificou sua atuação para apoiar a indicação da vereadora Priscila Costa (PL-CE), sua aliada de longa data.

Estratégia de combate à rejeição feminina

A estratégia ganhou impulso porque auxiliares da campanha consideram Michelle o principal ativo do bolsonarismo para reduzir a resistência a Flávio entre as mulheres, segmento em que o candidato registra seu pior desempenho eleitoral. Pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira revela que, em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o petista obtém 50% das intenções de voto entre as eleitoras, contra 40% do senador. Já entre os homens, o cenário se inverte: Flávio aparece numericamente à frente, com 46%, ante 45% de Lula. O dado reforça a necessidade de aproximação com o público feminino.

Pressão de Valdemar e articulações em curso

A ideia de ampliar a participação de Michelle na definição da vice é atribuída ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O plano, no entanto, está condicionado à manutenção do isolamento político do partido. A cúpula da legenda ainda trabalha com o prazo de 5 de agosto, último dia das convenções, para tentar conversas com outras legendas, e evita tratar a chapa pura como uma decisão já tomada. Em entrevista ao g1, Valdemar classificou a hipótese de Priscila Costa ser a escolhida como uma “bobagem”.

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Neutralidade da federação União-PP aumenta pessimismo

A confirmação de que a federação formada por União Brasil e PP pretende permanecer neutra na disputa presidencial elevou o pessimismo dentro do PL. Flávio chegou a oferecer a vaga de vice à senadora Tereza Cristina (PP-MS), que recusou. Integrantes do partido ainda admitem conversas com quadros da federação, mas reconhecem que a indicação de uma filiada dependeria de autorização política das duas legendas. Entre os nomes cotados está o da deputada Simone Marquetto (PP-SP), que não pretende disputar a reeleição e é vista por integrantes da campanha como uma política de perfil executivo, com experiência de gestão e atuação voltada às mulheres. Clarissa Tércio (PP-PE) também foi considerada, mas perdeu força por manter como prioridade a renovação do mandato na Câmara dos Deputados.

Daniella Marques e a pressão sobre o Republicanos

Outra frente de negociação envolve Daniella Marques, responsável pela elaboração das propostas da campanha destinadas ao eleitorado feminino. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal se filiou ao Republicanos sem o conhecimento prévio do presidente da sigla, Marcos Pereira, e precisou recorrer à Justiça para ter o vínculo reconhecido. Como não há mais prazo para uma nova mudança de partido, dirigentes do Republicanos avaliam que a insistência do PL em seu nome também funciona como pressão para que a legenda ingresse formalmente na coligação.

Priscila Costa ganha força com apoio de Michelle

Com a tendência de que as duas articulações fracassem, cresce no PL o entendimento de que Flávio terá de recorrer aos próprios quadros. Nesse cenário, Priscila Costa ganhou força nas conversas sobre a chapa, com a defesa de sua madrinha política, Michelle Bolsonaro. Ao GLOBO, Priscila evitou apresentar a possibilidade como uma candidatura consolidada, mas afirmou estar à disposição: “Estou com Flávio porque a vitória dele é importante para a gente e espero que ele escolha a melhor vice. Sempre que sou citada, recebo com alegria e me sinto honrada, estou à disposição. Mas tudo ainda depende dos outros partidos”.

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Fernanda Bolsonaro entra em cena

Paralelamente à tentativa de ampliar o engajamento de Michelle, a campanha acelerou o plano para transformar Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio, em um ativo eleitoral. O desempenho da cirurgiã-dentista na convenção que oficializou a candidatura do senador foi considerado acima das expectativas e respaldou a organização de uma agenda nacional voltada sobretudo às mulheres. A partir de 10 de agosto, Fernanda deverá iniciar uma caravana pelo país, começando por São Paulo e seguindo por Ceará, Paraíba, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A movimentação em torno de Michelle e Fernanda reflete a urgência do PL em reverter a desvantagem feminina e consolidar uma chapa que consiga dialogar com diferentes segmentos do eleitorado. Enquanto as negociações com outros partidos avançam lentamente, a aposta em nomes internos e no capital político da família Bolsonaro se intensifica nos bastidores da campanha.