A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República mantém a insistência em ter uma candidata a vice indicada por um partido do Centrão, mesmo diante da resistência interna e da neutralidade declarada por quatro siglas. A decisão sobre a composição da chapa deve ser empurrada para o prazo limite das convenções partidárias, marcado para 5 de agosto, conforme apurado pela reportagem.
Partidos do Centrão adotam neutralidade
União Brasil, PP, Republicanos e Podemos já sinalizaram que vão adotar neutralidade em relação à escolha do vice na chapa de Flávio. A postura desses partidos, que juntos formam o chamado Centrão, contrasta com o desejo da campanha bolsonarista de selar uma aliança que amplie o arco de apoios. A estratégia da equipe de Flávio é usar o prazo máximo permitido pela legislação eleitoral para tentar convencer uma das legendas a ceder uma candidata.
Nomes cogitados enfrentam resistências
Entre os nomes que chegaram a ser cotados para ocupar a vice na chapa estão Daniella Marques, ex-secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. Ambas, no entanto, enfrentam resistências dentro do PL e de setores do Centrão. Daniella Marques é vista como próxima ao núcleo econômico do governo passado, mas sem tração partidária. Já Tereza Cristina tem trânsito no PP, mas o partido optou pela neutralidade, dificultando seu lançamento como vice.
Prazo das convenções como trunfo
A campanha de Flávio Bolsonaro pretende usar o calendário eleitoral a seu favor. As convenções partidárias que oficializam as candidaturas podem ser realizadas até 5 de agosto, e a estratégia é aguardar até essa data para tentar costurar um acordo de última hora. Segundo fontes da campanha, a pressão sobre os partidos do Centrão aumenta à medida que o prazo se aproxima, pois a ausência de um vice consolidado pode enfraquecer a chapa.
Reconciliação com Michelle não altera alianças
Outro fator que tem sido comentado nos bastidores é a reconciliação de Flávio Bolsonaro com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O movimento é visto como positivo para a imagem do candidato, especialmente entre o eleitorado evangélico. No entanto, a reaproximação não tem impacto direto nas negociações de alianças com partidos. A campanha avalia que a presença de Michelle em eventos pode ajudar na popularidade, mas a definição do vice continua sendo uma questão política que depende das legendas.
Impacto na estratégia eleitoral
A indefinição sobre o vice pode trazer consequências para a campanha de Flávio Bolsonaro. Sem uma aliança formal com o Centrão, o candidato fica mais dependente do tempo de propaganda eleitoral do PL e de recursos próprios. Por outro lado, a neutralidade dos partidos do Centrão significa que eles não apoiarão abertamente outros candidatos, o que pode ser interpretado como um benefício indireto. A decisão final, no entanto, deve sair apenas às vésperas do prazo, mantendo o suspense no cenário político.



