O Brasil encerrou a Liga das Nações Feminina de vôlei (VNL) de 2026 com a medalha de prata, marcando a quinta vez que a equipe termina na segunda posição em cinco edições do torneio. Apesar da derrota na final para a Turquia por 3 a 1, o técnico José Roberto Guimarães fez questão de valorizar o desempenho das jovens jogadoras que assumiram protagonismo diante de desfalques importantes.
Desfalques e oportunidades
A seleção brasileira enfrentou uma série de problemas que extrapolaram os limites da quadra. A capitã Gabi não disputou nenhuma partida devido a problemas na lombar. Júlia Kudiess e Tainara sofreram lesões durante o torneio. Nyeme, por sua vez, abriu mão de jogos no exterior para ficar perto da filha pequena. Essas baixas forçaram o técnico a apostar em peças mais jovens, que responderam com atuações de alto nível.
Ana Cristina, de 22 anos, e Julia Bergmann, de 25, foram as principais pontuadoras do Brasil, com 256 e 235 pontos, respectivamente. Ambas não são exatamente novatas — estiveram nas Olimpíadas de Paris e Ana Cristina também integrou o time medalhista de prata em Tóquio 2021 —, mas na VNL de 2026 assumiram uma responsabilidade maior, substituindo Gabi como titular absoluta da posição. "Mesmo sob pressão, elas mantiveram a consistência", avaliou a comissão técnica.
Novos nomes se destacam
Marcelle, de 24 anos, convocada pela primeira vez na temporada passada, assumiu a titularidade na posição de líbero com a ausência de Nyeme. Já no meio de rede, a jovem Luzia, de 22 anos, ganhou a confiança de Zé Roberto após a lesão de Júlia Kudiess. Na final contra a Turquia, Luzia anotou 11 pontos, sendo sete no ataque, números que impressionaram.
O técnico José Roberto Guimarães destacou o surgimento de novas atletas: "Apesar da derrota, é isso que fica. Vemos uma Luzia jogando bem em um nível alto. Há hábitos que precisam ser adquiridos: disputar partidas importantes, difíceis. Vemos Marcelle, jogadoras mais jovens que passaram por situações complicadas e conseguiram ajudar. Vemos aparecer também uma Helena (de 21 anos, reserva durante a maior parte da VNL). Perdemos jogadoras, e outras surgiram. A perspectiva de futuro é importante."
Objetivo: Olimpíadas de Los Angeles 2028
A análise de Zé Roberto parte da premissa de que a equipe precisa olhar para frente. O grande objetivo é ter uma seleção forte nas Olimpíadas de Los Angeles, em 2028. O próximo compromisso é o Campeonato Sul-Americano, entre 8 e 13 de setembro, no Maracanãzinho. A competição continental dará uma vaga olímpica à equipe campeã. Para carimbar a classificação e se preparar para 2028, o técnico conta com o poderio das jovens jogadoras.
Rosamaria, de 32 anos, com longa trajetória na seleção, também ressaltou a importância das atletas mais novas: "Somos um grande time. Nosso grupo é bom. Muitas meninas novas estão ganhando experiência dentro de quadra, vivendo esses momentos difíceis, porque elas têm que passar por essas situações."
Estatísticas e jejum
A quinta prata em cinco finais de VNL Feminina machuca, assim como o jejum de títulos em competições intercontinentais, que se estende desde 2017. Na final, a oposta turca Vargas, com 33 pontos, foi eleita a melhor jogadora da competição. Apesar da derrota, o Brasil mostrou luta e atitude, como destacou Zé Roberto: "Houve luta, houve atitude." O futuro, agora, está nas mãos das jovens que brilharam nesta edição.
Com a Liga das Nações encerrada, a seleção brasileira volta suas atenções para o Sul-Americano e a busca por uma vaga olímpica. A base de 2026, com nomes como Ana Cristina, Julia Bergmann, Marcelle e Luzia, dá esperanças de um ciclo vitorioso para Los Angeles 2028.



