Sete páginas anônimas no Facebook e Instagram gastaram R$ 1,1 milhão em anúncios contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entre maio e junho de 2026. Os perfis, sem responsáveis identificados, utilizaram táticas para driblar os algoritmos das plataformas e dificultar o rastreamento dos financiadores, conforme apurou a reportagem.
Estratégias de ocultação e impulsionamento
Criadas em maio de 2026, as páginas impulsionaram conteúdo político com críticas diretas aos dois políticos, muitas vezes descontextualizado. Os anúncios foram pulverizados em diferentes formatos e horários, visando evitar a detecção pelos sistemas de moderação da Meta. As táticas incluíram o uso de imagens genéricas, textos vagos e links para sites externos não rastreados.
Um dos perfis, por exemplo, publicou uma série de anúncios com a frase "Flávio Bolsonaro não representa o povo", sem citar fontes ou dados concretos. Outro atacou Tarcísio de Freitas com alegações sobre suposta má gestão na segurança pública, sem apresentar provas. A Meta, dona das plataformas, afirmou em nota que "está comprometida em garantir um ambiente on-line saudável" e que "investiga casos de violação de políticas de publicidade".
Impacto nas disputas eleitorais
O alto investimento em anúncios sugere uma operação coordenada para influenciar a opinião pública às vésperas das eleições de 2026. Especialistas em marketing político apontam que a falta de transparência nos financiadores pode distorcer o debate democrático. "Quando não se sabe quem paga, a propaganda perde credibilidade e pode esconder interesses escusos", afirma o cientista político Carlos Melo, do Insper.
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas são figuras centrais na direita brasileira e potenciais candidatos nas próximas eleições. O senador é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Tarcísio é visto como um dos principais nomes do campo conservador para 2026.
Resposta da Meta e desafios de regulação
A Meta disse que "remove conteúdo que viole suas políticas" e que "investe em inteligência artificial para detectar padrões suspeitos". No entanto, a empresa não informou se as páginas foram retiradas do ar ou se os anúncios foram suspensos. A plataforma enfrenta críticas recorrentes por não coibir eficazmente a propaganda política anônima.
No Brasil, a legislação eleitoral exige transparência na publicidade política, mas as regras são frequentemente contornadas por meio de páginas falsas e impulsionamento disfarçado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já abriu investigações sobre casos semelhantes, mas a identificação dos responsáveis é dificultada pelo uso de dados falsos e contas temporárias.
Os R$ 1,1 milhão gastos em pouco mais de um mês indicam que a operação contou com recursos significativos, possivelmente de fontes não declaradas. A reportagem tentou contato com os perfis, mas não obteve resposta. A Meta não comentou se os anúncios violavam suas políticas de conteúdo político.



