A 9ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), tem como alvos o senador e líder do Governo no Senado Federal, Jaques Wagner, e o ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima. A relação entre os dois está associada à rede de mercados baiana Cesta do Povo e ao cartão de crédito com benefício consignado CredCesta.
Quem é Augusto Lima
O banqueiro passou a ganhar notoriedade após comprar a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), leiloada em 2018. Em nota enviada à editoria de Política do g1, em abril deste ano, Jaques Wagner confirmou que conheceu Augusto Lima em 2017, quando era o secretário responsável por conduzir o processo de privatização da Ebal.
A privatização da Ebal
A Ebal foi uma empresa pública do governo da Bahia criada para atuar no abastecimento alimentar e no comércio varejista de produtos básicos. Ela era a responsável por operar a rede de mercados Cesta do Povo. A Ebal foi colocada em leilão para a iniciativa privada em 2015, no governo de Rui Costa (PT). Após dois leilões sem lances, a empresa foi arrematada em 2018, pelo valor de R$ 15 milhões. O processo foi comandado pelo então governador Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, juntamente com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico.
O que é a Cesta do Povo
A Cesta do Povo foi uma rede de supermercados criada pelo governo da Bahia, nos anos 1970, com foco em vender produtos básicos a preços mais acessíveis para a população de baixa renda. Durante muitos anos, a Cesta do Povo teve presença forte no interior da Bahia e em bairros populares de Salvador, mas começou a perder força a partir dos anos 2000. Quando a administradora Ebal foi leiloada em 2018, a Cesta do Povo também foi vendida. Augusto Lima adquiriu a rede de mercados.
O cartão CredCesta
O CredCesta é um cartão de benefício consignado ofertado a servidores públicos, aposentados e pensionistas, onde o pagamento das parcelas é descontado diretamente da folha de pagamento. Apesar de atualmente operar em todo o Brasil, ele surgiu na Bahia e tem forte ligação com a rede Cesta do Povo. Com a compra da Cesta do Povo, em 2018, Augusto Lima também adquiriu o CredCesta, que na época era um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais. O financiamento bancava a compra parcelada de servidores do estado nos supermercados.
A expansão do CredCesta
Entre 2019 e 2024, Augusto Lima atuou como sócio e CEO do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Neste período, ele expandiu o CredCesta para além da finalidade original de compra de gêneros alimentícios e o cartão se tornou a porta de entrada do Banco Master para operar na modalidade de crédito consignado. Segundo um requerimento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para a quebra de sigilo bancário de Augusto Lima, a ampliação do CredCesta transformou o cartão em um produto de crédito consignado que se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras.
De acordo com as investigações, uma parte relevante desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi informada às autoridades ou não possuía recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras. Em meados de 2025, já no meio da mais grave crise envolvendo o Banco Master, os dois decidiram romper a sociedade. Augusto Lima ficou com o Banco Pleno, que tem como origem o cartão de crédito consignado CredCesta, de uma rede estatal de supermercados da Bahia.



