A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta terça-feira, traz um cenário eleitoral que reacende as esperanças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de vencer a eleição presidencial de 2026 já no primeiro turno. Segundo o levantamento, Lula alcançou 51% dos votos válidos, o que, em uma simulação de primeiro turno, seria suficiente para evitar um segundo turno.
Números da pesquisa
A pesquisa Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.000 eleitores presencialmente entre os dias 12 e 15 de julho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No cenário estimulado, Lula aparece com 46% das intenções de voto, seguido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com 31%. O ex-governador de São Paulo, João Doria, aparece com 6%, e a senadora Simone Tebet, com 4%. Os demais candidatos somam 3%, enquanto brancos e nulos representam 7% e indecisos, 3%.
Votos válidos e cenário de primeiro turno
Quando se considera apenas os votos válidos (excluindo brancos, nulos e indecisos), Lula atinge 51%, contra 34% de Bolsonaro. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de mais de 50% dos votos válidos. O analista político Antônio Lavareda, em comentário à rádio CBN, afirmou: “A pesquisa mostra que Lula tem chance real de vencer no primeiro turno, mas ainda depende de uma campanha consistente e da manutenção do atual quadro econômico.”
Contexto político e econômico
O resultado positivo para Lula é atribuído, em parte, à melhora dos indicadores econômicos. O PIB brasileiro cresceu 2,5% no primeiro semestre de 2026, e a inflação está controlada em 4,1% ao ano. Além disso, a queda no preço dos combustíveis e a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600 têm contribuído para a popularidade do governo. O cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destaca: “A economia é o fator determinante. Se o cenário continuar favorável, Lula pode sim vencer no primeiro turno.”
Desafios e incertezas
Apesar do otimismo, analistas alertam que a pesquisa captura um momento e que a campanha eleitoral pode mudar o cenário. A inelegibilidade de Bolsonaro, que ainda aguarda julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, é um fator de incerteza. Caso Bolsonaro seja impedido de concorrer, o eleitorado de direita pode migrar para outros candidatos, alterando o quadro. O levantamento também mostra que Lula tem maior rejeição (42%) do que Bolsonaro (38%), o que pode limitar seu crescimento.
Impacto na estratégia de campanha
A pesquisa deve influenciar a estratégia da campanha de Lula, que pode optar por uma postura mais propositiva e evitar debates acirrados. O PT já sinalizou que vai focar na entrega de programas sociais e na recuperação econômica. Para o cientista político Maria do Socorro Braga, da Unicamp, “a pesquisa dá a Lula a confiança necessária para buscar o primeiro turno, mas ele não pode subestimar a capacidade de mobilização da oposição.”



