As operações policiais que miram o governador Cláudio Castro e o deputado federal Márcio Canella intensificaram a indefinição na direita do Rio de Janeiro sobre as candidaturas ao Senado na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL). O nome mais forte para ocupar a vaga de Canella, caso sua saída seja confirmada, é o de Felipe Curi (PP), ex-secretário de Polícia Civil.
Contexto das operações
No último fim de semana, a Polícia Federal deflagrou operações que investigam supostos desvios de recursos públicos e fraudes em contratos. Cláudio Castro é alvo de um inquérito que apura irregularidades na gestão de programas sociais, enquanto Márcio Canella foi preso preventivamente sob acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As ações judiciais geraram reações imediatas no meio político, especialmente entre os partidos de direita que articulam a chapa para o Senado.
Candidaturas em xeque
Com a prisão de Canella e os problemas judiciais de Castro, a direita fluminense enfrenta um cenário de incertezas. A chapa de Flávio Bolsonaro, que busca reeleição, depende de nomes fortes para compor as vagas ao Senado. Além de Castro e Canella, outros cotados incluem o deputado estadual Douglas Ruas (PL) e o ex-deputado federal João Lisboa (Republicanos). No entanto, a falta de definição sobre quem realmente poderá concorrer abre espaço para adversários.
Segundo analistas políticos, a indefinição favorece candidatos de outros espectros, como Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), que já iniciaram articulações para capitalizar a crise na direita. “A situação é fluida e pode mudar a correlação de forças no Senado”, afirmou o cientista político Ricardo Mendes, da UFRJ.
Felipe Curi como alternativa
Felipe Curi, que comandou a Polícia Civil do Rio até 2025, é visto como o principal substituto de Canella. Sua experiência na segurança pública e a boa relação com setores conservadores o tornam um nome viável para unificar a base. No entanto, a confirmação depende de negociações partidárias e da aprovação de Flávio Bolsonaro. “Curi tem perfil técnico e trânsito político, mas a decisão final cabe ao partido”, disse uma fonte do PP.
Enquanto isso, a direita tenta conter os danos. O PL já solicitou ao STF a revogação da prisão de Canella, mas a resposta ainda não saiu. A situação de Castro também é delicada: o governador pode virar réu se o tribunal aceitar a denúncia do Ministério Público.
Impacto eleitoral
As operações policiais ocorrem a menos de três meses das eleições, o que aumenta a pressão sobre os partidos. Pesquisas internas indicam que a indefinição na direita pode reduzir o número de cadeiras no Senado para a base bolsonarista. Atualmente, o Rio de Janeiro tem três vagas em disputa, e a chapa de Flávio Bolsonaro esperava eleger ao menos dois candidatos. Com a crise, esse número pode cair para um.
Especialistas apontam que a situação também pode beneficiar candidatos de centro, como Pedro Paulo, que já tem mandato e boa penetração na região metropolitana. “O eleitor conservador está desorientado. Se não houver uma definição rápida, muitos podem migrar para opções menos radicais”, avaliou a analista política Carla Souza.



