Mensagem oficial do governo sobre Celular Seguro gera desconfiança no RS
Mensagem oficial do Celular Seguro gera desconfiança no RS

Uma mensagem enviada pelo governo federal via WhatsApp para moradores do Rio Grande do Sul sobre o aplicativo Celular Seguro gerou desconfiança. Muitos relataram medo de golpes e ignoraram o aviso, que na verdade é oficial e anuncia uma nova funcionalidade da ferramenta: a possibilidade de consultar a situação legal de um telefone antes de comprá-lo, com o objetivo de enfraquecer o mercado ilegal de eletrônicos furtados e roubados.

Desconfiança generalizada

“Eu recebi, mas pra ser bem sincera, eu não abri a mensagem, porque eu fiquei com medo. A gente não sabe hoje em dia o que realmente a gente pode acessar no celular ou não, né? Eu recebi, mas eu não abri”, relatou a zeladora de prédio Eliette Alcântara. O medo de golpes fez com que muitos ignorassem o aviso inicial, mesmo sendo uma comunicação legítima do governo.

Nova funcionalidade de prevenção

Antes voltada apenas para que vítimas bloqueassem aparelhos após crimes, a plataforma agora atua na prevenção. Ao permitir a checagem da origem do produto antes de fechar negócio, a intenção é dificultar a venda no mercado paralelo e, consequentemente, diminuir o interesse de criminosos em furtar e roubar telefones. O professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jéferson Campos Nobre, avalia que a medida é um obstáculo importante contra a criminalidade.

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“Ela não resolve totalmente o problema, mas ela aumenta os mecanismos de segurança que são utilizados para evitar que os celulares que são furtados ou roubados sejam reutilizados. Então, apesar de não ser uma medida que resolve completamente o problema, ela dificulta a ação desses criminosos”, afirmou.

Impacto no comportamento e relatos de vítimas

A preocupação com a perda do aparelho muda até o comportamento das pessoas nas ruas. O advogado Carlos Abraão Maschio conta que mudou seus hábitos em público. “Jamais tirar ele de dentro da bolsa, do coisa, em público. Nunca, jamais”, disse. O massoterapeuta Eduardo Malone Melo Figueiredo relata como foi vítima desse tipo de crime. “A gente tá distraído e quando tu vê, do nada... Já aconteceu de estar no telefone, falando com a minha mãe e ser surpreendido com o assalto. E aí tu fica sem reação, né?”, relembrou. O cantor Antônio Rodrigues também teve prejuízo. “Três mil reais a pessoa levou e não tive como conseguir, né?”, lamentou.

Alerta das autoridades

Órgãos de segurança trabalham para evitar os crimes e tentar recuperar e devolver os telefones. A secretária-adjunta da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS), Adriana Regina da Costa, alerta para os riscos criminais de adquirir produtos sem procedência confirmada. “As pessoas devem tomar cautela com preços que não estão dentro do preço padrão, com a procedência desse produto, porque acaba ela se envolvendo em uma questão, muitas vezes, criminal e também, muitas vezes, comprando um aparelho de péssima procedência”, explicou a secretária-adjunta. “Então, é muito importante que as pessoas estejam atentas quando adquirirem um produto que seja adquirido em lojas oficiais para que não se envolvam, muitas vezes, até mesmo na prática de algum crime”, completou.

Após confirmação, confiança renovada

Com a confirmação de que a mensagem do governo é segura, quem desconfiou pretende usar o serviço. “Ah, agora eu vou dar uma olhada com calma, né? Vou verificar, vou analisar e vou ler com calma e vou poder acessar”, disse Eliette. “Até foi bom tu falar sobre isso, que agora eu vou pesquisar melhor”, completou Eduardo.

Recomendações de segurança

Além de manter o aparelho cadastrado no Celular Seguro, especialistas recomendam reforçar a proteção interna do telefone. O professor Jéferson Nobre orienta o uso de travas adicionais. “É possível, por exemplo, fazer com que algumas das aplicações elas só sejam acessíveis através de biometria, se o celular tem essa capacidade ou com alguma senha. São cuidados que eles, de novo, não resolvem completamente o problema mas eles diminuem então os impactos que alguém que tem o seu celular subtraído né que sofre”, concluiu.

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