O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nunes Marques, tem alimentado teorias da conspiração sobre as eleições brasileiras, conforme reportagem publicada pelo jornal O Globo. O magistrado, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, teria feito declarações em eventos privados questionando a transparência do processo eleitoral e sugerindo fraudes sem apresentar provas.
Declarações em eventos fechados
Segundo a reportagem, Nunes Marques participou de encontros com empresários e políticos nos quais teria afirmado que as urnas eletrônicas são vulneráveis e que as eleições de 2022 foram marcadas por irregularidades. Em uma dessas ocasiões, ele teria dito que 'há indícios fortes de que o resultado não refletiu a vontade popular', de acordo com testemunhas ouvidas pelo jornal.
Reações de colegas e especialistas
As declarações geraram reações contrárias entre membros do STF e especialistas em segurança cibernética. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que 'não há qualquer evidência de fraude nas urnas' e que 'tais teorias colocam em risco a confiança no sistema democrático'. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) aponta que as urnas eletrônicas foram auditadas por dezenas de entidades e nunca foi comprovada qualquer vulnerabilidade que permitisse adulteração dos resultados.
Impacto político
A postura de Nunes Marques é vista como uma tentativa de deslegitimar o processo eleitoral e alimentar o discurso de setores radicais que defendem uma intervenção militar. Analistas políticos consideram que a atitude do ministro contribui para o clima de instabilidade e polarização no país.
Número de declarações
O Globo apurou que, ao longo de 2025, Nunes Marques fez ao menos 15 declarações públicas ou privadas colocando em dúvida o sistema eleitoral. A reportagem também destaca que o ministro evitou se manifestar oficialmente sobre o tema, mas continuou a propagar as teorias em conversas reservadas.
Posicionamento do STF
Procurado, o STF informou que não comenta declarações de seus ministros. No entanto, fontes da corte ouvidas pelo jornal afirmam que a conduta de Nunes Marques preocupa a cúpula do Judiciário, que teme um aprofundamento da crise de credibilidade nas instituições.



