Um novo personagem emergiu como o 'homem-bomba' na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado. Trata-se de um ex-assessor do parlamentar que teve suas movimentações financeiras consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A estratégia da campanha é usar essa figura para desviar o foco de outros escândalos que envolvem o filho do presidente Jair Bolsonaro.
Quem é o novo alvo
O ex-assessor, cujo nome não foi divulgado oficialmente, trabalhou no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) entre 2019 e 2020. Segundo fontes ligadas à campanha, ele teria movimentado valores incompatíveis com sua renda, o que levou o Coaf a emitir relatórios de inteligência financeira. A defesa de Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que o ex-assessor agiu por conta própria.
Estratégia de comunicação
A campanha de Flávio Bolsonaro tem utilizado o caso para atacar adversários políticos, sugerindo que as denúncias são parte de uma perseguição orquestrada. Em um evento recente, um dos coordenadores da campanha declarou: 'Estão tentando derrubar Flávio com factoides, mas vamos mostrar que isso é uma cortina de fumaça'. A tática é conhecida como 'homem-bomba' – um personagem que é exposto para absorver a pressão midiática e judicial.
De acordo com o blog de Bela Megale, o ex-assessor já teria sido convidado a prestar depoimento à Polícia Federal, mas ainda não há confirmação de que ele tenha sido formalmente intimado. O caso ganhou repercussão nas redes sociais, com apoiadores de Flávio usando hashtags para questionar a imparcialidade do Coaf.
Impacto na campanha
Pesquisas internas da campanha mostram que a estratégia tem surtido efeito entre os eleitores mais fiéis, mas não consegue reverter a rejeição entre o eleitorado de centro. Um levantamento recente indicou que 48% dos entrevistados no Rio de Janeiro consideram Flávio culpado por associação com esquemas de corrupção, mesmo sem condenação definitiva.
O uso de 'homens-bomba' não é novidade na política brasileira. Em 2018, a campanha presidencial de Jair Bolsonaro também lançou mão de personagens para desviar a atenção de denúncias. No entanto, a tática pode se voltar contra o candidato se as investigações avançarem e comprovarem vínculos diretos com o ex-assessor.
Próximos passos
A expectativa é que o Coaf divulgue novos relatórios sobre as movimentações financeiras do ex-assessor nas próximas semanas. A campanha de Flávio já prepara uma contra-ofensiva jurídica, questionando a legalidade dos procedimentos do órgão. Enquanto isso, o candidato intensifica a agenda de rua e as lives nas redes sociais para tentar capitalizar o apoio da base bolsonarista.



