Moraes assume STF interinamente e mantém pressão sobre bolsonarismo
Moraes assume STF e mantém sombra sobre bolsonarismo

O ministro Alexandre de Moraes assumiu interinamente a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, em meio a um cenário político tenso às vésperas das eleições de 2026. A posse ocorre após o afastamento temporário do presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, para tratamento de saúde. Moraes, que já era relator de processos sensíveis envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, agora acumula o poder de definir a pauta do plenário e decidir questões urgentes.

Decisões recentes implodem palanque de Flávio Bolsonaro no Rio

Uma das medidas mais impactantes foi a decisão de Moraes que desmontou a estratégia eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado do Rio de Janeiro. O ministro determinou a suspensão de investigações contra adversários políticos do clã Bolsonaro e anulou provas obtidas em operações da Polícia Federal, o que, na prática, enfraqueceu a base de apoio do senador. Segundo fontes próximas ao STF, a decisão foi tomada com base em indícios de abuso de poder e parcialidade nas apurações.

“O ministro Moraes age com rigor técnico, mas suas decisões têm um claro impacto político”, afirmou o cientista político Carlos Melo, do Insper. “Ele sabe que está sendo observado e que qualquer movimento pode ser interpretado como interferência eleitoral.”

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Presidenciável do PL impedido de visitar Bolsonaro em prisão domiciliar

Outra decisão que gerou reações foi a negativa de Moraes ao pedido do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para visitar Jair Bolsonaro em sua prisão domiciliar. O ex-presidente cumpre pena em regime domiciliar após condenação por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2023. O ministro argumentou que a visita poderia comprometer a segurança jurídica do processo e influenciar testemunhas.

“A decisão de Moraes é mais um capítulo na guerra judicial entre o STF e o bolsonarismo”, analisou a jornalista Malu Gaspar, colunista do Globo. “Ele mantém a sombra sobre o grupo, impedindo que articulações políticas avancem.”

Impacto nas eleições de 2026

Com a presidência interina, Moraes tem poder para acelerar ou retardar julgamentos que envolvem candidatos e partidos. A oposição já critica a concentração de poder, enquanto aliados do governo defendem a legalidade das ações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou comentar diretamente, mas fontes do Planalto indicam que a cúpula do governo vê com bons olhos a postura firme de Moraes.

“O STF não pode ser refém de interesses políticos”, disse o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em nota. “As decisões de Alexandre de Moraes são baseadas na lei e na Constituição.”

Reações e cenário futuro

Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro classificou as medidas como “perseguição política” e prometeu recorrer. Já o PL estuda uma representação contra Moraes no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A expectativa é que a presidência interina dure até o retorno de Barroso, previsto para duas semanas. Até lá, Moraes continuará a definir os rumos da Corte em um momento crucial para a democracia brasileira.

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