Joel Mokyr, professor da Northwestern University e vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2025, é uma referência mundial nos estudos sobre desenvolvimento econômico, instituições e inovação tecnológica. Sua pesquisa busca compreender como aumentar a prosperidade em um contexto de inovações tecnológicas que avançam em ritmo exponencial.
Participação no Fórum de Lisboa
A 14ª edição do Fórum de Lisboa, iniciativa que enfrenta críticas de setores da imprensa e da opinião pública no Brasil, trouxe Mokyr para uma palestra magna no último dia do evento. A apresentação foi mediada pelo ministro Gilmar Mendes e pela presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), Cristiane Coelho Galvão. A ocasião ofereceu uma oportunidade única para aprender com uma das mentes mais brilhantes do mundo.
Análise histórica do progresso econômico
Mokyr apresentou uma análise histórica dos fatores que condicionam o progresso econômico. Em Adam Smith, considerado o pai da Economia, o comércio era a variável central para explicar o desenvolvimento e a riqueza das nações. As trocas entre países, baseadas em vantagens comparativas, seriam o cerne da prosperidade, com destaque para a força do mercado e sua mão invisível.
No entanto, foi com a nova economia institucionalista, cujo expoente é Douglass North (falecido em 2015), cerca de 250 anos depois de Smith, que o pensamento econômico convergiu para o consenso de que as instituições importam. O desenvolvimento das nações e suas diferenças estão relacionados às regras do jogo: leis, Constituição, forma de governo, garantia de direitos (como propriedade), qualidade da democracia, previsibilidade, confiança, imprensa e outras instituições formais e informais.
Institucionalismo e inovação
North, Coase e outros avançaram a partir do institucionalismo do início do século XX, que respondia ao pensamento neoclássico. Este último, ainda predominante em receituários de política econômica, baseia-se na força dos mercados e na formalização matemática de modelos. Os novos institucionalistas resgataram o modus operandi neoclássico para introduzir o componente institucional, com a ideia de custos de transação como areia na engrenagem dos mercados.
A contribuição inovadora de Mokyr está no avanço teórico em relação aos novos institucionalistas. Ele defende que a prosperidade depende da qualidade das instituições e da inovação tecnológica. Em sua palestra no Fórum de Lisboa, em 3 de junho, explicou que a incorporação de novas tecnologias tem maior sucesso quanto maior a confiança nas instituições e na garantia de que informações e conhecimento sejam fidedignos e disseminados sob critérios rigorosos.
Confiança e democracia como pilares
O fortalecimento institucional é a única forma de proteger aqueles que poderiam ser excluídos dos processos de criação e adoção de novas tecnologias, como a inteligência artificial. A apropriação do conhecimento deve ser democrática, livre de preconceitos e não restrita a elites tradicionais. Mokyr mostra que a ciência alimenta a inovação tecnológica, que retroalimenta a geração de novo conhecimento. Regimes autoritários podem produzir avanços técnicos pontuais, mas é o progresso técnico aliado a governos democráticos e confiáveis, com instituições sólidas, que eleva o crescimento de longo prazo.
O Fórum de Lisboa como espaço de integração
O 14º Fórum de Lisboa teve seu ápice na palestra de Mokyr, mas os três dias de seminários foram repletos de discussões técnicas, apresentações de artigos e avaliações conjunturais e teóricas de alto nível. A combinação de autoridades políticas, servidores públicos, técnicos, especialistas, profissionais do setor privado, empresários e formadores de opinião, incluindo jornalistas, é o grande ativo do fórum. Integrar por dentro e para fora poderia ser uma síntese.
O ministro Gilmar Mendes, com sua mente privilegiada e espírito público gigantesco, contribui enormemente para o Brasil ao fortalecer, a cada ano, o Fórum de Lisboa. É preciso reconhecer, louvar e apoiar essa iniciativa. Sobretudo neste momento de eleições gerais, ideias, mais do que paixões, devem nos nortear. Vida longa ao Gilmarpalooza!



