A abertura de vagas formais de trabalho desacelerou em maio, levando o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a criticar novamente a condução da política monetária. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta terça-feira (30), o saldo positivo foi de 72.960 empregos com carteira assinada, o menor resultado para o mês desde 2020.
Desempenho abaixo do potencial
Para Marinho, a economia brasileira continua gerando vagas, mas em ritmo inferior ao que poderia alcançar. "O mercado de trabalho poderia estar muito mais positivo", afirmou durante entrevista coletiva. O ministro atribuiu o desempenho aos juros elevados, aos efeitos da guerra no Oriente Médio e às tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.
Críticas ao Banco Central
Marinho voltou a direcionar críticas ao Banco Central, que recentemente mencionou o aquecimento do mercado de trabalho entre os fatores observados na condução da política monetária. "Eu ouvi, esta semana, alguém do Banco Central falando da preocupação com o emprego, que insiste em ser positivo. Eu não consigo entender a mensagem de que o emprego tem de ser negativo. Parece uma tara por emprego negativo", declarou.
Segundo o ministro, o atual nível da taxa básica de juros reduz investimentos, dificulta a expansão das empresas e acaba afetando a contratação de trabalhadores. "Quero chamar a atenção do Banco Central. A política monetária, do jeito que está, vem gerando um efeito muito negativo no mercado de trabalho, que era para estar mais positivo ainda", disse.
Fatores externos
Além dos juros, Marinho afirmou que o ambiente externo contribuiu para reduzir o ritmo de criação de empregos. Na avaliação dele, a escalada das tensões no Oriente Médio e o aumento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos provocaram incertezas na economia internacional e afetaram a atividade produtiva.



