A campanha dos presidenciáveis da direita começou com turbulências. Na convenção do PL que lançou oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, o evento foi ofuscado por insultos do argentino Javier Milei e pela circulação de um deep fake do ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, Ronaldo Caiado (PSD) aproveitou o palco para criticar o adversário com metáforas avícolas, e Romeu Zema (Novo) manteve-se na defensiva, evitando confrontos diretos com o filho do ex-presidente.
Convenção do PL marcada por polêmicas
A candidatura de Flávio Bolsonaro foi oficializada em um evento que deveria ser de união, mas que acabou expondo as fragilidades da campanha. Além da ausência de figuras importantes do partido, o ex-presidente Jair Bolsonaro não compareceu — uma decisão estratégica para não ofuscar o filho, segundo aliados. No entanto, a ausência não impediu que seu nome voltasse ao centro das atenções: um deep fake com conteúdo ofensivo contra adversários políticos viralizou nas redes sociais durante o evento, gerando constrangimento à equipe de campanha. A assessoria de Flávio negou envolvimento e classificou o vídeo como 'ação criminosa de opositores'.
Outro momento tenso ocorreu quando o argentino Javier Milei, líder libertário e pré-candidato à presidência na Argentina, enviou uma mensagem em vídeo à convenção. Em vez de elogios, Milei lançou insultos contra a classe política brasileira, chamando alguns presentes de 'incompetentes' e 'parasitas'. A fala causou mal-estar entre os aliados de Flávio, que esperavam um tom mais amistoso. 'Milei deveria se concentrar nos problemas da Argentina, não nos nossos', comentou um deputado do PL sob anonimato.
Caiado usa metáforas avícolas para criticar Flávio
O lançamento da chapa de Ronaldo Caiado, com Gilberto Kassab como vice, ocorreu no mesmo dia e serviu para o governador de Goiás disparar críticas ao principal rival na direita. Em discurso, Caiado comparou Flávio a um 'frango de granja' que tenta se passar por 'águia', sugerindo que o candidato do PL não tem envergadura para disputar a presidência. 'Não adianta vestir a roupa do pai se não tem a voz do pai', disse Caiado, em referência à tentativa de Flávio de herdar o eleitorado de Jair Bolsonaro. A metáfora foi repetida em entrevistas e gerou reações nas redes sociais. 'Caiado está nervoso porque sabe que Flávio tem mais força', rebateu o líder do PL na Câmara, em nota.
A aliança com Kassab, presidente do PSD, é vista como uma tentativa de Caiado de ampliar seu tempo de TV e capilaridade regional. No entanto, as pesquisas indicam que o governador goiano ainda não decolou: segundo o último levantamento do Datafolha, divulgado em 25 de julho, Caiado tem apenas 6% das intenções de voto, contra 22% de Flávio Bolsonaro. 'Precisamos mostrar que há alternativa viável dentro da direita', afirmou Caiado durante o evento.
Zema mantém estratégia de outsider e evita confronto
Romeu Zema, governador de Minas Gerais e candidato do Novo, também oficializou sua pré-candidatura, mas optou por não atacar Flávio diretamente. Em seu discurso, Zema concentrou as críticas no governo Lula e no PT, responsabilizando-os pela inflação e pelo desemprego. 'O problema não é a direita, é a incompetência da esquerda', declarou. A estratégia de Zema é se manter como o 'outsider' da disputa, mas sua recusa em confrontar Flávio tem sido alvo de críticas internas. 'Zema parece ter medo de Bolsonaro', disparou um aliado de Caiado em conversa reservada.
As pesquisas mostram que Zema também patina: tem 4% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Para tentar reverter o quadro, sua campanha aposta em viagens pelo interior e na difusão de vídeos nas redes sociais. 'Vamos crescer quando o povo perceber que o 'bolsonarismo sem Bolsonaro' não é sinônimo de renovação', disse um assessor próximo ao governador.
Desafios da direita para 2026
Com três candidatos na direita — Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema — o campo enfrenta o desafio de unificar o eleitorado. Enquanto Flávio lidera numericamente, sua campanha é prejudicada por escândalos e pela sombra do pai. Caiado tenta se posicionar como o nome da 'direita democrática', mas sua baixa popularidade fora de Goiás preocupa. Já Zema busca se diferenciar como gestor, mas falta carisma e exposição nacional.
O lançamento conturbado do PL mostrou que a direita está longe de ter uma campanha pacífica. Resta saber se os três conseguirão coabitar o mesmo espectro até 2026 ou se as rusgas internas vão abrir espaço para um nome de centro ou da esquerda. Por ora, o único consenso entre os presidenciáveis é a rejeição ao governo Lula — mas até isso é motivo de disputa sobre quem o faz de forma mais veemente.



