Michelle escancara crise com Flávio e blinda imagem para virar alternativa ao Planalto
Michelle escancara crise com Flávio e blinda imagem (26.06.2026)

Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, gerou desgastes na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao publicar vídeos nas redes sociais acusando o senador de humilhação, maus-tratos e desrespeito. O episódio ocorre em meio à tentativa de Flávio de se recuperar de áudios vazados em que pedia dinheiro a Daniel Vorcaro. A deputada Bia Kicis (PL-DF) classificou a situação como uma “bomba” para a candidatura do filho de Jair Bolsonaro.

Vídeos de Michelle viralizam e expõem racha familiar

Na quarta-feira, 24, Michelle publicou dois vídeos totalizando 26 minutos, que atingiram milhões de visualizações em poucas horas. Neles, a ex-primeira-dama relatou que Flávio a humilhou por telefone após ela criticar a decisão do diretório cearense do PL de apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado. Segundo Michelle, Flávio foi “muito ríspido”, disse que ela deveria ficar fora das decisões do partido e que “havia chegado ontem e não entendia nada de política”. Ela chamou o episódio de “uma punhalada” e afirmou que, desde então, Flávio não a procurou mais.

Michelle também listou suas conquistas: percorreu o Brasil, instalou diretórios em todas as 27 unidades da federação e contribuiu para eleger 1.005 mulheres em 2024.

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Flávio inicialmente minimiza, depois pede desculpas

Flávio Bolsonaro iniciou uma transmissão ao vivo antes do jogo da Seleção Brasileira, usando uma máscara de Neymar Jr., e tentou menosprezar o confronto, afirmando que “nada nem ninguém” o aborreceria. No entanto, após o jogo, por volta das 23h, ele mudou o tom e emitiu uma longa nota negando ter desrespeitado Michelle: “Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”. No texto, Flávio invocou a família, os 24 anos de vida pública e o “equilíbrio”, e disse ter “respeito e reconhecimento” pela madrasta. Também insinuou que as acusações teriam raiz emocional: “Entendo a angústia da Michelle vendo meu pai, todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça”.

Flávio afirmou ter ligado para Michelle naquela manhã para convidá-la a uma reunião com lideranças femininas conservadoras, mas que o gesto “não foi correspondido”. Ele disse que todas as suas decisões são tomadas “com o respaldo” do pai Jair Bolsonaro e encerrou conclamando “maturidade, serenidade e unidade” para derrotar o PT.

Dia seguinte: Flávio reitera desculpas em vídeo; Michelle nega briga

Na quinta-feira, 25, Flávio gravou um vídeo relendo a nota, mas suprimiu o trecho sobre a ligação. No final, fez um aceno: “O convite segue de pé e o coração segue aberto, Michelle. Porque a gente tem que focar no nosso Brasil. Posso contar com você?”. Sua esposa, Fernanda Bolsonaro, defendeu o marido nas redes sociais, escrevendo: “Como esposa, eu escolho olhar para aquilo que vejo todos os dias: um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado às nossas duas filhas”, sem citar Michelle.

Michelle publicou novo texto: “Não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Não há briga nem competição”, pedindo que não retirassem trechos de contexto “para gerar confusão”.

Eduardo Bolsonaro entra na disputa sem declarações diretas

Eduardo Bolsonaro não fez declarações diretas, mas republicou conteúdos que questionavam as motivações de Michelle e reforçavam a imagem do irmão. Compartilhou o link de um vídeo intitulado “Dossiê: Michelle — As Notícias Desmentem”, com a frase “sempre fazendo uma viagem ao passado para compreender o presente”. Também republicou vídeo do ex-deputado Alexandre Ramagem, que afirmou que Michelle “trouxe um assunto de sete meses atrás para prejudicar Flávio” e que ela “faz birra” por não ter aceitado a decisão do marido. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), cujo apoio de Michelle foi pivô da briga, agradeceu pela postura da ex-primeira-dama. Ciro Gomes (PSDB-CE) disse que não viu e nem verá o vídeo.

Os casos de família envolvendo os Bolsonaros se arrastam desde 2021, com conflitos públicos entre Michelle e seus enteados.

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