Mercado já cobra prêmio de risco político para eleição de 2026, diz Safra Asset
Mercado cobra prêmio de risco político para eleição de 2026

“Não é hora de tomar muito risco.” A frase, dita pelo economista-chefe da Safra Asset, Daniel Weeks, resume o clima entre os grandes investidores a três meses da eleição presidencial de 2026. A disputa ainda nem esquentou de vez, mas já começou a aparecer nos preços dos ativos financeiros.

Câmbio e juros sob pressão

Weeks nota que o câmbio tem rendido “pior do que os pares” e que os juros dos títulos públicos estão “super estressados”. Para ele, são sinais de que o mercado já cobra um prêmio — uma espécie de seguro — pelo risco político do país. A avaliação foi feita no programa Expert Talks, comandado por Caio Megale, economista-chefe da XP, e por Bianca Lima, analista de política da casa. Os dois receberam Weeks para discutir o cenário econômico de 2026.

Ambiente externo ainda pesa mais

Mesmo com a eleição no radar, o convidado insiste que o mundo lá fora pesa mais. “O ambiente externo acaba sendo mais relevante na forma como a gente vai olhar os problemas ou soluções do Brasil”, afirmou. A régua, segundo ele, é a moeda americana. Se o dólar seguir forte, a eleição tende a mexer mais nos preços por aqui. Se os Estados Unidos voltarem a cortar juros, o efeito da urna diminui.

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Estratégia de prudência e oportunidades

Diante da dúvida, a palavra de ordem na gestora é uma só: prudência. Weeks conta que reforçou o caixa e passou a escolher empresas de boa qualidade e pouco endividadas, menos expostas a solavancos. Isso não quer dizer ficar parado. O economista vê oportunidades fora do Brasil, como no setor de inteligência artificial. E aposta também em exportadoras brasileiras, que ganham fôlego caso o dólar dispare.

O tabuleiro da eleição de 2026

O Brasil vai às urnas em outubro de 2026 para escolher o próximo presidente. Até aqui, três nomes concentram as atenções da corrida. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca a reeleição e lidera as pesquisas divulgadas até o momento. Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece como o principal nome da oposição, já que o ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível. Correndo por fora, Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), se coloca como pré-candidato com um discurso antissistema, na condição de azarão.

Pesquisas de intenção de voto

Os números variam conforme o instituto e são apenas uma fotografia do momento. No primeiro turno, o levantamento da Indexa Pesquisas (maio de 2026) apontou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 30%. Em pesquisas de julho, como as dos institutos Meio/Ideia e Futura, Lula seguia à frente nos cenários de primeiro e segundo turno, com margens mais apertadas em alguns recortes.

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