Mercadante rebate Flávio Bolsonaro e defende investimentos do BNDES em SP
Mercadante rebate Flávio Bolsonaro sobre SP e cita R$ 163 bi

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, respondeu neste domingo, 2, às declarações do candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, que afirmou que o governo Lula teria boicotado o Estado de São Paulo. Em nota oficial, Mercadante apresentou números que contestam a acusação e destacou que a gestão atual do banco aprovou R$ 163 bilhões em operações de crédito para o estado, volume 78,6% superior ao registrado nos quatro anos do governo anterior, de Jair Bolsonaro.

Mercadante: “Lula é o presidente que mais fez por São Paulo”

O ex-ministro e atual comando do BNDES foi enfático ao rebater a declaração do filho do ex-presidente. “O candidato Flávio Bolsonaro parece desconhecer a completa omissão do governo do próprio pai, Jair Bolsonaro, no financiamento ao governo do Estado de São Paulo e às prefeituras paulistas. Lula é o presidente que mais fez por São Paulo, com entregas concretas, que transformam a vida de quem vive no Estado. Os números falam por si”, afirmou Mercadante na nota.

Mercadante também detalhou que somente para o governo estadual paulista foram aprovados R$ 13,7 bilhões, valor 4,5 vezes maior do que os R$ 3 bilhões registrados durante a gestão Bolsonaro. Já para a cidade de São Paulo, os recursos chegaram a R$ 2,5 bilhões, enquanto no governo anterior não foi aprovado nenhum montante para a capital, conforme explicou o presidente do BNDES.

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Comparativo setorial: indústria, agro, comércio e infraestrutura

Na comparação entre os dois governos, Mercadante destacou que as aprovações do banco cresceram em todos os segmentos no estado paulista. Para a indústria, o aumento foi de 166%. Na agropecuária, o avanço chegou a 31%. O comércio e serviços registraram alta de 71%, enquanto a infraestrutura teve crescimento de 31%. Os dados reforçam a tese de que a atuação do BNDES em São Paulo foi ampliada, contrariando a narrativa de boicote.

Um dos aumentos mais expressivos ocorreu na área de inovação, com alta de 1.092%: os desembolsos passaram de R$ 1,5 bilhão para R$ 18,3 bilhões. “Em 2025, foram aprovados R$ 13,1 bilhões para exportação do Estado, aumento de 164% no período 2023-2025 em relação a 2019-2022”, detalhou Mercadante. Esses números mostram a prioridade dada ao desenvolvimento paulista na atual gestão federal.

Programa Nova Indústria Brasil e grandes obras

No âmbito do programa Nova Indústria Brasil (NIB), somente para a indústria de São Paulo foram aprovados R$ 120,4 bilhões, distribuídos em 36,2 mil operações. O montante inclui projetos de modernização, ampliação de capacidade produtiva e geração de empregos. O BNDES também destinou recursos significativos para a infraestrutura paulista, incluindo R$ 2 bilhões para a ampliação e modernização do aeroporto de Congonhas, um dos principais terminais aéreos do país.

Além disso, foram aprovados R$ 10,7 bilhões para a duplicação da Via Dutra e da Rio-Santos, rodovias estratégicas para o escoamento da produção e para o transporte de passageiros. Outros R$ 2,96 bilhões foram destinados a rodovias do noroeste paulista. Esses investimentos visam melhorar a logística e reduzir custos para a população e para as empresas que dependem dessas vias.

Mobilidade urbana e projetos estruturantes

Na área de mobilidade urbana, os aportes do BNDES também são volumosos. Mercadante informou que foram aprovados R$ 6,4 bilhões para a construção do Trem Intercidades, que ligará São Paulo a Campinas. Para a linha 2 do metrô da capital, foram liberados R$ 6 bilhões para a aquisição de 44 trens. O Rodoanel recebeu R$ 1,35 bilhão para a retomada e finalização das obras, enquanto a Linha 6-Laranja do metrô paulistano teve R$ 12,3 bilhões aprovados.

A Linha Diamante do metrô também foi contemplada com R$ 3,4 bilhões. Na área de ciência e saúde, uma nova planta do Instituto Butantan recebeu R$ 386 milhões. Para a prefeitura de São Paulo, foram destinados R$ 2,5 bilhões, que incluem a aquisição de 1,3 mil ônibus elétricos, medida que contribui para a redução da emissão de poluentes e para a melhoria do transporte público.

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Mercadante critica falta de reconhecimento de governadores

O presidente do BNDES também comentou a postura de alguns governadores que não reconhecem publicamente as parcerias com o governo federal. “Isso tudo porque o governo do presidente Lula trata os governos de Estados e dos municípios de forma republicana, com foco na melhoria da qualidade de vida da população, independentemente da posição política de governadores e de prefeitos. Sempre que possível, procuramos construir pontes e viabilizar os projetos estruturantes do País”, afirmou.

Na sequência, Mercadante lamentou a ausência de reciprocidade. “Infelizmente, não temos tido reciprocidade de alguns governadores, que não reconhecem publicamente o esforço do governo Lula na realização dessas parcerias. Ao contrário, patrocinam uma narrativa de polarização típica da extrema direita em todo mundo, que até pouco tempo atrás não existia na política brasileira”, concluiu.

Os dados apresentados por Mercadante mostram que, mesmo com as críticas, o BNDES manteve o apoio a projetos em São Paulo em diferentes setores, do transporte à inovação. A resposta do banco ocorre em meio à campanha eleitoral, na qual a gestão federal e a oposição trocam acusações sobre investimentos públicos. A declaração de Flávio Bolsonaro havia sido feita em ato de campanha, e agora a equipe econômica do governo Lula usa os números para rebater a acusação de boicote.

Analistas apontam que o volume de R$ 163 bilhões aprovado pelo BNDES para o estado de São Paulo indica uma relação institucional sólida entre o banco e as esferas estadual e municipal, independentemente das diferenças políticas. A posição de Mercadante reforça a estratégia do governo federal de enfatizar entregas concretas e dados objetivos para contrapor o discurso de negligência com o estado mais rico da federação.

O impacto desses investimentos deve ser sentido em várias frentes, como geração de empregos na construção civil, modernização de sistemas de transporte e estímulo à inovação tecnológica. Os valores anunciados também elevam a expectativa de melhora na infraestrutura paulista, que enfrenta desafios históricos em mobilidade, saneamento e logística. Com a resposta de Mercadante, o BNDES busca deixar claro que São Paulo é tratado com prioridade e que os recursos federais chegam ao estado de forma republicana.