O jurista Joaquim Falcão, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e ex-integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), afirmou que o caso Master representa um 'abalo sísmico' para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista, ele questionou: 'Quem julga o julgador?' e criticou o que chamou de 'conluio' entre os Poderes, que só interessa a eles próprios.
Falcão vê aliança prejudicial à democracia
Para Falcão, os três Poderes da República têm atuado em uma espécie de acordo que impede avanços democráticos. 'Esse conluio só beneficia os próprios Poderes, não a sociedade', disse. Ele defende que o STF precisa de limites mais claros, incluindo a imposição de mandatos para os ministros.
O jurista também destacou que o caso Master impõe um desafio direto ao relator no STF, exigindo uma resposta que pode redefinir o equilíbrio entre os Poderes. 'É um teste para o Supremo mostrar se está acima da lei ou se também se submete a ela', afirmou.
Críticas à falta de controle sobre o STF
Falcão, que integrou o CNJ, órgão de controle do Judiciário, apontou a ausência de mecanismos efetivos para fiscalizar o STF. 'Hoje, não há quem julgue o julgador. O Supremo se tornou um poder sem contrapesos', criticou. Ele defendeu a criação de instrumentos de accountability, como mandatos fixos e maior transparência nas decisões.
O caso Master, segundo ele, expõe essa fragilidade institucional. 'Se o STF não for capaz de se autorregular, o risco é de crise de legitimidade', alertou. A entrevista foi publicada originalmente em 10 de julho de 2026.



