O ex-deputado federal Marcelo Aro desponta como favorito para ocupar a vaga de senador por Minas Gerais deixada por Cleitinho, que está fora do páreo na próxima eleição. A informação é da coluna de Bernardo Mello Franco. Aro, conhecido por ter liderado a chamada 'bancada da bola' na Câmara dos Deputados, também foi figura central na concessão de um título honorífico ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Agora, ele busca unir as forças do bolsonarismo no estado para consolidar sua candidatura.
Quem é Marcelo Aro?
Marcelo Aro é um político mineiro que cumpriu mandatos como deputado federal, onde se destacou por sua articulação em pautas ligadas ao esporte. A 'bancada da bola', que ele liderou, era composta por parlamentares que defendiam interesses do futebol e de outras modalidades esportivas, atuando em questões como financiamento, leis de incentivo e organização de eventos. Essa atuação lhe rendeu visibilidade e influência dentro do Congresso.
Além disso, Aro esteve envolvido na concessão de um título a Eduardo Cunha, que à época presidia a Câmara dos Deputados. O título, de natureza honorífica, foi visto como um gesto político que reforçou os laços entre os dois políticos. Cunha, posteriormente condenado e preso, ainda mantém influência em setores da política mineira.
A liderança da bancada da bola
A 'bancada da bola' não era um bloco formal, mas um grupo de parlamentares que se reunia para discutir políticas esportivas. Marcelo Aro ganhou projeção nacional ao coordenar esse grupo, que chegou a ter mais de 200 integrantes entre deputados e senadores. Sob sua liderança, a bancada conseguiu aprovar medidas como a Lei de Incentivo ao Esporte e a criação de fundos para construção de estádios.
No entanto, o grupo também foi alvo de críticas por supostamente priorizar interesses de clubes e federações em detrimento do esporte amador. Aro sempre defendeu que sua atuação visava modernizar a gestão esportiva no Brasil.
O título a Eduardo Cunha
Em 2015, Marcelo Aro foi um dos articuladores para que Eduardo Cunha recebesse o título de 'Cidadão Honorário de Minas Gerais' ou honraria similar (a coluna não especifica qual título). A manobra política foi interpretada como uma tentativa de aproximar Cunha do eleitorado mineiro, já que o então presidente da Câmara era figura central na base aliada do governo Dilma Rousseff. Aro, na época, era aliado de Cunha e integrava o bloco de partidos que apoiavam o governo.
Com a queda de Cunha, Aro reposicionou-se politicamente, aproximando-se do bolsonarismo. Ele foi um dos primeiros políticos mineiros a apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018 e mantém vínculos com o ex-presidente até hoje.
União do bolsonarismo em Minas
A saída de Cleitinho da disputa ao Senado abriu espaço para que Marcelo Aro se consolide como o nome da direita bolsonarista no estado. Cleitinho, que também é alinhado ao bolsonarismo, decidiu não concorrer à reeleição por motivos pessoais. Aro agora busca unir as diferentes facções do bolsonarismo mineiro, que incluem desde políticos tradicionais até novatos alinhados ao ex-presidente.
Analistas políticos apontam que a candidatura de Aro pode ser um teste para a força do bolsonarismo em Minas Gerais, estado com o segundo maior colégio eleitoral do país. Se ele conseguir unir o campo conservador e vencer a eleição, isso pode fortalecer a legenda para as eleições presidenciais de 2026. Por outro lado, divisões internas podem enfraquecer sua campanha.
Ao assumir a vaga de Cleitinho, Aro promete focar em pautas como segurança pública e combate à corrupção, mantendo o discurso alinhado ao bolsonarismo. Sua experiência como líder da bancada da bola e sua capacidade de articulação no Congresso serão colocadas à prova agora no Senado.



