Pesquisa Datafolha: Maioria rejeita proibição de visita de Flávio a Bolsonaro
Maioria rejeita proibição de visita de Flávio a Bolsonaro

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é rejeitada pela maioria dos brasileiros, conforme pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (28). O levantamento revela que 59% dos entrevistados consideram que Moraes agiu mal ao adotar a medida. Por outro lado, 36% avaliam que o ministro agiu bem. Os que não consideram a decisão nem boa nem ruim somam 2%, enquanto 4% não souberam opinar.

Distinção entre restrições familiares e políticas

Os números contrastam com a percepção pública sobre outras determinações do STF relacionadas ao ex-presidente. O Datafolha mostra que 59% apoiam a manutenção de Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, contra 35% que defendem seu retorno ao regime fechado. Outros 6% não souberam responder. Os resultados sugerem que parte do eleitorado faz uma clara distinção entre as restrições que afetam a convivência familiar e aquelas destinadas a limitar a atuação política do ex-presidente.

Segundo a pesquisa, 62% concordam com a proibição do uso de redes sociais por Bolsonaro durante o cumprimento da pena. Apenas 35% defendem que ele tenha acesso às plataformas, enquanto 3% não responderam. Na prática, o levantamento indica maior aceitação das restrições voltadas à comunicação pública do que das limitações ao contato com familiares.

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A decisão de Moraes e a carta de Bolsonaro

A proibição das visitas foi determinada por Alexandre de Moraes no início do mês. O ministro vetou, por 90 dias, os encontros entre Flávio Bolsonaro e o pai. Também suspendeu por 30 dias as visitas dos demais familiares, proibiu contatos de natureza político-eleitoral até as eleições e vedou a divulgação de manifestos atribuídos ao ex-presidente. A decisão ocorreu após Flávio ler, durante uma transmissão ao vivo realizada em 11 de julho, uma carta escrita por Jair Bolsonaro. Antes da leitura, o senador informou que o documento seria divulgado nas redes sociais.

No texto, o ex-presidente chamava Flávio de seu “porta-voz” e afirmava que ele era o escolhido para representá-lo na disputa presidencial. Para Moraes, o episódio configurou descumprimento da ordem judicial que impede Bolsonaro de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Na decisão, o ministro concluiu que tanto o ex-presidente quanto o senador tinham conhecimento de que o conteúdo seria divulgado ao público.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios, nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01166/2026. Os dados indicam um claro descontentamento popular com a interferência na relação familiar, mas simultaneamente demonstram apoio a medidas que limitam a influência política do ex-presidente durante o cumprimento da pena.

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