A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 parece ter gerado um primeiro vencedor na batalha pela narrativa política da medida. Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (1º) pelo Real Time Big Data indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a figura mais frequentemente associada pelos brasileiros à alteração na jornada de trabalho.
De acordo com o levantamento, 22% dos entrevistados mencionaram espontaneamente Lula como o responsável pelo fim da escala que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. Esse percentual supera amplamente as menções a outras instituições e lideranças políticas envolvidas no debate.
Congresso Nacional e PT aparecem em seguida
O Congresso Nacional surge em segundo lugar, com 13% das citações. Na sequência, aparecem o Partido dos Trabalhadores (PT), mencionado por 6% dos entrevistados; o ex-presidente Jair Bolsonaro, com 3%; e o Supremo Tribunal Federal (STF), com 2%.
Disputa política pela autoria da proposta
A tramitação da PEC do fim da escala 6×1 foi marcada por uma intensa disputa política em torno da autoria da proposta e dos potenciais ganhos eleitorais associados à medida. Embora a iniciativa tenha sido apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), o governo Lula abraçou a pauta durante as negociações no Congresso Nacional. O Palácio do Planalto atuou para viabilizar um acordo sobre a transição da jornada e passou a defender publicamente a redução das atuais 44 horas semanais de trabalho.
Nos últimos meses, aliados do presidente transformaram o tema em uma das principais bandeiras sociais do governo, enquanto partidos de oposição buscaram se reposicionar diante da popularidade da proposta entre os trabalhadores.
População ainda não assimilou totalmente a mudança
Apesar de Lula liderar as citações, o levantamento mostra que a mudança ainda não foi plenamente assimilada pela população. Mais da metade dos entrevistados, 52%, afirmou não saber ou preferiu não responder quando questionada sobre quem considera responsável pelo fim da escala 6×1. Outros 2% atribuíram a medida a atores diferentes dos apresentados nas respostas mais frequentes.
O resultado sugere que, embora exista um personagem político mais associado à proposta neste momento, ainda há um amplo espaço para disputa de narrativa à medida que a PEC avança para as próximas etapas de tramitação. O Real Time Big Data ouviu 2.000 pessoas entre os dias 29 e 30 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05864/2026.



