O editorial do Globo desta quarta-feira (15) defende que o socorro aos exportadores brasileiros, anunciado pelo governo federal, deve respeitar os limites fiscais estabelecidos pelo teto de gastos. A medida, que prevê linhas de crédito e subsídios para o setor exportador, não pode comprometer o ajuste fiscal em curso, sob risco de agravar a crise econômica.
Medidas de socorro e riscos fiscais
O governo anunciou um pacote de medidas para apoiar exportadores afetados pela pandemia e pela desaceleração da economia global. Entre as ações estão a ampliação de linhas de crédito do BNDES e a redução de tributos. No entanto, o editorial alerta que essas iniciativas precisam ser financiadas sem furar o teto de gastos, que limita o crescimento das despesas públicas à inflação do ano anterior.
Segundo o texto, o Brasil já enfrenta um déficit fiscal elevado, e qualquer nova despesa sem contrapartida pode aumentar a desconfiança dos investidores e elevar o risco-país. O editorial cita dados do Tesouro Nacional que mostram que a dívida pública bruta ultrapassou 90% do PIB em 2025.
Setor exportador em dificuldades
O setor exportador tem sido um dos mais afetados pela crise, com queda de 15% nas vendas externas no primeiro semestre de 2026, segundo o Ministério da Economia. A indústria de transformação e o agronegócio são os segmentos que mais sofreram, pressionados pela redução da demanda global e por problemas logísticos.
O editorial reconhece a importância do setor para a economia brasileira, mas ressalta que o socorro deve ser temporário e bem direcionado. "A ajuda não pode se tornar permanente nem se transformar em subsídio indiscriminado", afirma o texto.
Compromisso com o ajuste fiscal
O governo precisa equilibrar o apoio ao setor produtivo com a manutenção da credibilidade fiscal. O editorial defende que as medidas devem ser custeadas por cortes em outras despesas ou por aumento de receitas, sem recorrer a novos endividamentos. "O teto de gastos é a âncora fiscal que garante a estabilidade econômica", conclui o editorial.
A proposta do governo ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, onde há resistências quanto à abertura de crédito extraordinário. O editorial espera que os parlamentares avaliem com cuidado os impactos fiscais das medidas.



