O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um evento na noite desta segunda-feira (26) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, em um clima de pré-lançamento de sua campanha para as eleições de 2026. Na ocasião, Lula evocou a luta dos metalúrgicos da região, que foi o berço de sua trajetória política, e fez duras críticas ao governo atual, sem citar nomes.
Discurso emocionado e referências históricas
Lula lembrou as greves do final dos anos 1970 e início dos 1980, que marcaram o movimento sindical brasileiro e o levaram à presidência do sindicato. “Foi aqui que aprendi que a união dos trabalhadores pode mudar o país. Vocês foram os protagonistas da redemocratização”, disse o ex-presidente, visivelmente emocionado. O evento contou com a presença de lideranças sindicais, prefeitos da região e deputados federais.
Segundo Lula, o Brasil vive um momento de retrocesso social e econômico. “Os direitos trabalhistas estão sendo desmontados. Precisamos de um governo que olhe para o povo, não para o mercado”, afirmou. Ele citou dados do IBGE que mostram que a taxa de desemprego no ABC Paulista subiu para 12,5% no último trimestre, acima da média nacional de 9,8%.
Pré-campanha e sinalizações
Embora não tenha confirmado oficialmente sua candidatura, Lula já age como pré-candidato. Ele anunciou que, nos próximos meses, percorrerá o país para dialogar com a população. “Não posso me omitir. O povo brasileiro precisa de esperança. Vamos reconstruir o Brasil com a força dos trabalhadores”, declarou. O evento é visto como o pontapé inicial de sua campanha, que deve focar em temas como geração de empregos, reindustrialização e fortalecimento da economia.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Gomes, elogiou a postura de Lula: “Ele é a voz dos trabalhadores. Nenhum outro líder tem a capacidade de unir a classe operária como ele”. A região do ABC Paulista, conhecida como o coração industrial do país, tradicionalmente é um reduto eleitoral do Partido dos Trabalhadores.
Reações e expectativas
O evento gerou reações imediatas nas redes sociais. Apoiadores festejaram a volta de Lula ao cenário político, enquanto adversários criticaram a falta de propostas concretas. O cientista político Carlos Melo, da USP, analisa: “Lula está testando o terreno. A evocação dos metalúrgicos é uma estratégia para reavivar o sentimento de luta e conquista de direitos, que pode ser decisivo em 2026”.
Para a economista Maria Silva, da FGV, a promessa de reindustrialização enfrenta desafios. “O ABC já não é mais o polo industrial de outrora. A automação reduziu postos de trabalho, e a concorrência internacional é forte. Será necessário um plano muito detalhado para gerar empregos de qualidade”, pondera.
Contudo, o clima entre os presentes era de otimismo. Cartazes com os dizeres “Lula 2026” e “Volta, Lula” dominavam o espaço. O ex-presidente encerrou o discurso com um apelo: “Se Deus quiser, em 2026 estaremos juntos novamente para construir um Brasil de todos”.
Contexto eleitoral
As eleições de 2026 estão a dois anos, mas a movimentação já começou. Lula, que foi presidente de 2003 a 2010, é o nome mais forte da esquerda para o pleito. Pesquisas recentes do Datafolha mostram que ele tem cerca de 35% das intenções de voto, seguido por nomes do centro e da direita. O governo atual, que enfrenta baixa popularidade, vê com preocupação o avanço do ex-presidente.
O pré-lançamento no ABC Paulista não foi apenas um ato político, mas um resgate da memória dos metalúrgicos, que foram fundamentais na redemocratização. Lula, que já foi operário e líder sindical, usa essa narrativa para se conectar com as bases. A pergunta que fica é se esse apelo será suficiente para superar os desafios de um país polarizado e com demandas econômicas urgentes.



