Longevidade não pode ser vista só com lentes fiscalistas, diz especialista
Longevidade não pode ser vista só com lentes fiscalistas

O aumento da longevidade da população brasileira não pode ser tratado apenas como um problema fiscal, mas sim como uma oportunidade de desenvolvimento social e econômico. A avaliação é de Marcelo Abi-Ramia Caetano, especialista em previdência e ex-secretário de Previdência Complementar, que defende uma mudança de paradigma na abordagem do envelhecimento populacional.

Longevidade como oportunidade

Em artigo publicado no Valor Econômico, Caetano argumenta que o envelhecimento da população é frequentemente visto sob uma ótica exclusivamente fiscalista, focada nos custos com aposentadorias e saúde. No entanto, ele ressalta que a longevidade traz consigo potenciais benefícios, como o aumento da experiência e da produtividade de trabalhadores mais velhos, além de novas demandas de consumo e serviços.

“A longevidade não pode ser olhada apenas com lentes fiscalistas. É preciso enxergá-la como uma conquista da humanidade e uma oportunidade para repensarmos modelos de trabalho, previdência e inclusão social”, afirma o especialista.

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Desafios do envelhecimento populacional

Dados do IBGE indicam que a população brasileira com 60 anos ou mais deve crescer de 14% em 2020 para cerca de 30% em 2060. Esse cenário pressiona os sistemas de previdência e saúde, mas também abre espaço para inovações em políticas públicas e no mercado privado.

Caetano destaca que a reforma da previdência de 2019 foi um passo importante, mas ainda insuficiente. “Precisamos de medidas que incentivem a permanência dos idosos no mercado de trabalho, como a eliminação de barreiras etárias e a criação de programas de requalificação profissional”, sugere.

Impactos econômicos e sociais

O especialista aponta que o envelhecimento populacional pode impulsionar setores como saúde, lazer e tecnologia assistiva. Além disso, a chamada “economia prateada” (silver economy) já movimenta bilhões no mundo e pode ser uma fonte de crescimento para o Brasil.

“Ignorar o potencial econômico dos idosos é um desperdício. Eles representam um mercado consumidor significativo e podem contribuir ativamente para a sociedade se houver políticas adequadas”, argumenta.

Mudança de mentalidade necessária

Para Caetano, a chave está em uma abordagem multidisciplinar que envolva governo, empresas e sociedade civil. “É fundamental quebrar o estereótipo de que o idoso é um fardo. Com planejamento e inovação, a longevidade pode ser um motor de desenvolvimento sustentável”, conclui.

O artigo reforça a necessidade de um debate amplo sobre o tema, que vá além das contas públicas e considere o bem-estar e a inclusão produtiva da população idosa.

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